- Dados são apresentados no 51º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia
- Alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações
· caneta autoinjetora de adrenalina ainda é subutilizada
- Dispositivo nacional está em desenvolvimento
A anafilaxia é uma reação alérgica multissistêmica grave, de início agudo e potencialmente fatal, vem apresentando um aumento considerável em sua incidência nos últimos anos. Entretanto, ainda há uma escassez de dados no Brasil. Para minimizar essa lacuna, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira para coletar e analisar dados nacionais sobre essa condição médica.
O Registro Brasileiro de Anafilaxia foi desenvolvido com o intuito de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte.
Estudo – Apresentado durante o 51º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que acontece em Salvador, de 14 a 17 de novembro, o registro incluiu 318 pacientes, dos quais 163 eram mulheres. A média de idade foi de 27 anos, abrangendo faixas etárias de 2 a 81 anos. Pacientes de 20 dos 27 estados brasileiros participaram, com maior incidência nos estados do Sul e Sudeste: São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%).
“Os alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações, com leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%) sendo os mais comuns”, conta Dra. Mara Morelo, coordenadora do estudo ao lado do Dr. Dirceu Solé.
Já 32,4% dos casos estavam relacionados a medicamentos, incluindo agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Anafilaxia por insetos representou 23,9% das anafilaxias, destacando-se a formiga com 8,4% dos casos. Anafilaxia ao látex foi identificado em 11 casos.
O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou que 55,5% das crianças do sexo masculino são maioria com casos de anafilaxia. Já em adultos, 59,2% dos casos foram em mulheres.
A carência da adrenalina autoinjetável no tratamento imediato
O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou que apenas 8,2% dos pacientes possuíam o kit de emergência, ou seja, 43 pacientes tinham a caneta de adrenalina autoinjetável. Atualmente, a apresentação da adrenalina autoinjetora só pode ser adquirida por importação, a um custo alto. O Brasil ainda não tem esse dispositivo, que está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Já 96,2% dos pacientes com anafilaxia receberam algum tipo de tratamento, com uso de adrenalina em 50,3% dos casos, porém, com a administração do medicamento feita por profissionais em 42,1% dos casos, ou seja, em âmbito hospitalar.
Quinze pacientes necessitaram de intubação (11 adultos, 2 idosos, 2 crianças) e 10 foram reanimados (6 adultos, 3 idosos, 1 criança).
“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica Dra. Mara Morelo.
51º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia
Data: 14 a 17 de novembro de 2024
Local: Centro de Convenções Salvador (Bahia)
Inscrições:www.congressoalergiaasbai.com.br/site/alergia2024/inscricoes
Credenciamento de Jornalistas: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br
Sobre o Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia: Realizado há 51 anos, o evento anual reúne especialistas de todo o mundo para discutir os avanços na pesquisa e prática clínica em Alergia e Imunologia. Com uma programação abrangente e inovadora, o congresso é uma plataforma essencial para a troca de conhecimento e experiências entre especialistas de diversas áreas que fazem interseção com a Alergia e Imunologia, tais como anestesiologia, dermatologia, gastroenterologia, geriatria, oftalmologia, otorrinolaringologia, pediatria e pneumologia.
Sobre a ASBAI: A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1972. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cuja missão é promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia, fortalecer o exercício profissional com excelência da especialidade de Alergia e Imunologia nas esferas pública e privada e divulgar para a sociedade a importância da prevenção e tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 23 estados brasileiros.
Serviço
Site: www.asbai.org.br
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