Falhas na comunicação pública

SÃO PAULO, agosto de 2025 – A ineficácia na comunicação das instituições públicas não é apenas um desafio de imagem, mas um problema econômico de proporções bilionárias para o Brasil. A falta de clareza, a desinformação e a dificuldade em engajar a população em políticas essenciais corroem a confiança, afastam investimentos e comprometem a efetividade dos gastos públicos.

  

Dados recentes do Edelman Trust Barometer 2022 revelam que apenas 34% dos brasileiros confiam no governo, um índice alarmante que se reflete em perdas econômicas tangíveis e intangíveis. Mais recentemente, o Índice de Confiança Social (ICS) 2025, da Ipsos-Ipec, aponta que a confiança dos brasileiros nas instituições caiu para 56 pontos. “Sem uma comunicação estratégica e autêntica, o Brasil continuará pagando um preço alto pela desconfiança”, alerta Sari Santos, estrategista de marketing e especialista no tema.

  

O Impacto Econômico da Desconfiança

As falhas comunicacionais do setor público geram prejuízos diretos e indiretos. A ineficácia em campanhas e a falta de compreensão de políticas públicas resultam em desperdício de recursos. Em 2025, por exemplo, o governo federal tem previsão de gastos que podem chegar a R$ 3,5 bilhões em publicidade, mas sem uma estratégia de comunicação eficaz, grande parte desse investimento pode ser inócua.

  

Além disso, a burocracia, muitas vezes agravada pela má comunicação, custa anualmente cerca de R$ 181 bilhões para as empresas brasileiras, impactando negativamente o ambiente de negócios e a atração de investimentos. A desinformação, inclusive, foi apontada como o principal risco global para 2025 pelo Fórum Econômico Mundial e pela UNESCO. A percepção de que “líderes da sociedade estão mentindo” é alta no Brasil, com 78% acreditando que autoridades governamentais tentam enganar as pessoas, o que amplifica crises e dificulta a recuperação econômica.

  

Comércio Exterior: Onde a Falha de Comunicação Sai Ainda Mais Cara

No comércio exterior, o problema se torna ainda mais sensível. Com as constantes mudanças no Catálogo de Produtos, no novo processo de importação e em normas regulatórias, qualquer falha de comunicação ou instrução insuficiente pode gerar retrabalho, atrasos logísticos e prejuízos milionários para quem opera. A falta de clareza nas orientações oficiais não apenas compromete a competitividade das empresas brasileiras, mas também desgasta a confiança de importadores e exportadores no sistema. Em um ambiente global altamente competitivo, comunicar mal significa perder negócios e credibilidade.

  

A Solução: Marketing Humano e Autêntico

Para Sari Santos, a chave para reverter esse cenário está em uma comunicação pública que priorize a autenticidade e a conexão humana. “O marketing só faz sentido quando é humano, autêntico e conecta de verdade”, afirma Sari, que defende a escuta ativa, a transparência e a adaptação a novos canais como pilares para reconstruir a confiança.

  

Iniciativas como as campanhas de conscientização contra queimadas no Mato Grosso e de resgate da confiabilidade da vacina no Amazonas, além de projetos de “Linguagem Simples” em Tribunais de Contas, demonstram como uma comunicação estratégica pode fortalecer a imagem das instituições e gerar impactos positivos. Ao investir em um diálogo genuíno com a população e com os setores produtivos, as instituições públicas podem não apenas recuperar a confiança, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.

  


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