Déficit de Armazenagem no Brasil gera prejuízo de mais de R$ 80 bilhões para o produtor

 

Kepler Weber

Falta de silos e armazéns força comercialização no pico da safra. Nos últimos 3 anos, a soja acumulou R$ 56,5 bi em perdas e milho, R$ 31,8 bi

O déficit estrutural de armazenagem no Brasil  provocou perdas estimadas em R$ 88,3 bilhões ao produtor brasileiro de soja e  milho entre 2023 e 2025, segundo levantamento realizado pela Cogo  Inteligência em Agronegócio. A falta de silos e armazéns nas regiões  produtoras obriga agricultores a vender parte relevante da produção no pico da  safra, justamente quando a oferta concentrada pressiona os prêmios portuários  e reduz o preço recebido pelo grão brasileiro.

  

Os prêmios portuários representam o ágio ou deságio pago sobre a cotação  internacional da soja e do milho na Bolsa de Chicago. Em condições normais, o  prêmio tende a ser positivo, refletindo a demanda pelo produto brasileiro.  Quando há excesso de oferta nos portos, no entanto, o prêmio pode se tornar  negativo, fazendo com que o produtor receba abaixo da referência internacional.

  

São recursos que deixam de financiar custeio, aquisição de máquinas,  tecnologia, produtividade e expansão da infraestrutura rural. Para Bernardo  Nogueira, CEO da Kepler Weber, empresa referência em soluções de pós colheita e termometria digital, o produtor brasileiro perde renda porque não  consegue escolher o melhor momento de venda. “Sem armazenagem suficiente,  ele é obrigado a vender no período de maior pressão sobre os preços. O custo  desse gargalo não é abstrato: ele aparece diretamente na receita do campo.  Armazenagem não é apenas infraestrutura; é uma ferramenta de gestão de  preço, renda e competitividade”, frisou Bernardo Nogueira.

  

Em países com infraestrutura de armazenagem adequada como Estados Unidos  e Argentina, o produtor pode estocar a colheita e comercializar ao longo do ano,  capturando os melhores preços. Enquanto, no Brasil, o produtor precisa vender  quase imediatamente após a colheita para liberar espaço, pagar custeio e honrar  contratos.

  

Segundo o executivo da Kepler Weber, a modernização da armazenagem deve  ser tratada como uma etapa estratégica da produção, e não apenas como  infraestrutura complementar. “Quando falamos em armazenagem, falamos  também de competitividade. O Brasil tem capacidade para seguir ampliando sua  produção, mas precisa garantir que esse crescimento venha acompanhado de

eficiência logística, tecnologia e redução de desperdícios. O pós-colheita é uma  das principais fronteiras de ganho econômico e sustentável para o agronegócio  brasileiro”, reforçou o CEO da Kepler Weber.