Especialistas destacam fatores de risco, sintomas e cuidados essenciais para a saúde renal diante do aumento projetado da doença.
Minas Gerais – Junho de 2026. O Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, celebrado amanhã, ressalta a importância no debate sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso à informação sobre o câncer renal. O alerta ganha ainda mais relevância diante das projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo estimativas da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC/OMS), a incidência global da doença pode crescer cerca de 63% até 2050, evidenciando a necessidade de ampliar as ações de conscientização e acompanhamento da saúde renal.
O cenário é ainda mais crítico para a América Latina e, especificamente, para o Brasil, onde se estima um crescimento de quase 80% no número de diagnósticos nas próximas décadas. O médico urologista e professor da Afya Montes Claros, Dr. Sérgio Rametta, explica os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de rim.
“O tabagismo se destaca como o mais importante fator para desenvolvimento do câncer renal. A doença também pode estar relacionada a fatores genéticos, além de condições como obesidade, sedentarismo e dieta rica em gordura. Pacientes com doença renal crônica que necessitam de hemodiálise também apresentam maior propensão a desenvolver esse tipo de tumor. Outro ponto observado é que o câncer de rim ocorre com mais frequência em homens do que em mulheres”.
A gravidade da doença foi evidenciada este ano pela perda do músico americano Brad Arnold, líder da banda 3 Doors Down, que faleceu aos 47 anos em decorrência de um câncer renal em estágio avançado. O caso de Arnold ilustrou a face mais agressiva da doença que representa cerca de 3% de todos os tumores malignos do sistema urinário e, embora não esteja entre os mais incidentes, chama atenção pelo aumento consistente de casos e pelo potencial de gravidade quando diagnosticado tardiamente.
Dr. Sérgio Rametta comenta que o rim é considerado um órgão “escondido” por estar localizado na parte posterior do abdômen e protegido pelas costelas e pela musculatura das costas. Essa característica faz com que o câncer nessa região possa demorar a apresentar sintomas. Em muitos casos, o tumor se desenvolve de forma silenciosa e pode levar meses até que os primeiros sinais apareçam.
“Quando os sintomas surgem, frequentemente a doença já se encontra em estágios mais avançados, com tumores maiores e maior impacto no organismo. Entre os principais sinais do câncer de rim estão a presença de sangue na urina, dor abdominal e, em fases mais severas, a identificação de uma massa ou tumor palpável no abdômen”, complementa o urologista da Afya.
No Brasil, entre 2021 e 2024, a doença foi responsável por 12.414 mortes, sendo 7.900 homens e 4.514 mulheres, segundo dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade do Ministério da Saúde.
Prevenção e cuidados com os rins
Para ampliar a conscientização da população sobre o tema, também foi criado o Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. A data é promovida pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para um melhor manejo e controle da doença renal crônica. Neste ano, a campanha traz como lema: “Exame de urina e creatinina para todos”.
A médica nefrologista e professora da Afya São João Del Rei, Dra Ana Flávia Vieira Ferreira, informa que as doenças renais crônicas costumam evoluir de forma silenciosa em suas fases iniciais, o que reforça a importância de consultas médicas regulares e da realização de exames de rotina.
“A dosagem de creatinina no sangue e o exame de análise de urina, que ajudam a avaliar o funcionamento dos rins e podem indicar alterações precoces. A creatinina é uma substância filtrada pelos rins e eliminada pela urina; quando seus níveis estão elevados no sangue, isso pode indicar que os rins não estão funcionando adequadamente.
Dra. Ana Flávia ressalta que cuidar dos rins envolve uma ingestão adequada de líquidos, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e realizar exames periódicos para identificar possíveis alterações de forma precoce. “Também é importante destacar a necessidade de evitar o uso crônico ou frequente de medicamentos nefrotóxicos, como os anti-inflamatórios não esteroides, entre eles ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, amplamente utilizados no manejo de dores. O uso indiscriminado desses medicamentos pode causar prejuízos à função renal”, conclui a médica nefrologista.
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