Programa executado pelo Senai Paraná prevê atender 143 indústrias no estado com consultorias subsidiadas, diagnósticos energéticos e apoio à modernização tecnológica
(Fotos: Inove)
Reduzir custos com energia, acelerar a modernização industrial e ampliar a competitividade das empresas em um cenário de transição energética. Esses foram alguns dos principais temas debatidos durante o Roadshow de Lançamento do PotencializEE — Programa de Investimentos Transformadores em Eficiência Energética na Indústria, realizado no dia 29, no Campus da Indústria, em Curitiba.
O encontro marcou oficialmente o início da expansão do programa no Paraná e reuniu representantes da indústria, instituições financeiras, especialistas em energia e organizações nacionais e internacionais ligadas à inovação e ao desenvolvimento industrial, entre elas Ministério de Minas e Energia (MME), ENBPar, Procel, BNDES, Finep, GIZ, Senai Nacional, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Senai Paraná.
Executado no estado pelo Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade, o PotencializEE tem como foco apoiar micro, pequenas e médias indústrias na identificação e implementação de soluções capazes de reduzir o consumo energético, modernizar sistemas produtivos e diminuir emissões de gases de efeito estufa.
A proposta combina engenharia, tecnologia, planejamento financeiro e acesso a mecanismos de financiamento, conectando diagnósticos energéticos a projetos de investimento voltados ao aumento da eficiência industrial.
No Paraná, o programa deverá atender 143 indústrias, sendo 111 projetos na modalidade OPEX, direcionada à otimização operacional, e 32 na modalidade CAPEX, voltada a investimentos estruturais e tecnológicos. As consultorias serão gratuitas e poderão alcançar até 180 horas por empresa, contemplando etapas como diagnóstico energético, modelagem técnica, planejamento financeiro, articulação com fornecedores e acompanhamento da implementação das soluções.
A meta é superar 10% de redução no consumo energético das indústrias participantes.
Eficiência energética como estratégia industrial
Durante o evento, especialistas destacaram que aproximadamente 95% do consumo energético da indústria está concentrado em oito grandes sistemas produtivos, entre eles motores elétricos, sistemas térmicos, ar comprimido, refrigeração, HVAC, bombas industriais e sistemas auxiliares.
Nesse contexto, o PotencializEE aposta principalmente em ações de alto impacto relacionadas à modernização tecnológica, substituição de equipamentos e melhoria de processos produtivos, especialmente em setores intensivos em energia, como metalurgia, siderurgia, alimentos e bebidas, química, plástico, mineração, papel e celulose.
Mais do que uma agenda voltada à economia de energia, a iniciativa foi apresentada como uma ferramenta capaz de fortalecer produtividade, sustentabilidade e competitividade empresarial.
Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Superintendente de Projetos de Inovação, Carlos Alberto Bork, ressaltou que o roadshow teve justamente o objetivo de aproximar o empresariado das oportunidades oferecidas pelo programa.
“Quando promovemos um roadshow, nosso objetivo é construir, junto ao empresariado, um entendimento sobre as oportunidades que estamos trazendo”, afirmou.
Segundo Bork, o encontro realizado no Paraná consolidou elementos importantes para ampliar o alcance da iniciativa no estado, reunindo informações técnicas, participação de instituições financeiras e relatos de empresas que já passaram pela experiência do programa.
“Tudo aquilo que imaginávamos aconteceu: a apresentação do PotencializEE, a participação das instituições financeiras, os depoimentos dos parceiros que já utilizam o programa e discussões abertas sobre dúvidas e receios iniciais. Nossa expectativa é que o Paraná se torne um grande destaque nessa iniciativa”, declarou.
Para o representante da CNI, ampliar o acesso à informação e aproximar empresários das oportunidades disponíveis será determinante para o avanço do programa no país.
Caso prático reforça potencial do programa
Antes do lançamento oficial, o PotencializEE já havia sido aplicado em um projeto-piloto desenvolvido na Metalkraft, em Quatro Barras (PR), por meio de uma parceria entre o Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade e a agência alemã GIZ.
O estudo identificou oportunidades de otimização com potencial de economia superior a 2.237 MWh por ano, além de redução estimada de 4.906 toneladas de CO₂ ao longo da vida útil dos equipamentos e economia financeira anual superior a R$ 780 mil.
Especialista de processos na Metalkraft, Atilio Talamini explicou que a empresa já mantinha uma trajetória voltada à eficiência energética, construída ao lado do Senai e de consultorias especializadas, mas encontrou no PotencializEE uma oportunidade de ampliar esse movimento.
“Em um primeiro momento houve certa resistência, porque imaginávamos que seria semelhante a outras iniciativas das quais já havíamos participado. Depois que entendemos melhor a proposta, decidimos assumir esse compromisso e avançar mais um passo na evolução da empresa”, afirmou.
Entre os resultados obtidos, Talamini destacou o desenvolvimento de soluções aderentes ao segmento automotivo, incluindo propostas inovadoras para o processo produtivo.
“O programa nos entregou um relatório técnico muito consistente e soluções alinhadas ao nosso setor, incluindo um processo de fusão mais robusto com reaproveitamento de calor, algo bastante inovador para nossa realidade e com grande potencial de eficiência”, destacou.
Segundo ele, a iniciativa representa uma oportunidade relevante tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. “Participem do programa. É uma iniciativa muito bem estruturada e com grande potencial de retorno financeiro e ganhos ambientais”, concluiu.
Competitividade, tecnologia, sustentabilidade e capital
No encerramento do evento, o gerente sênior de Tecnologia e Inovação do Senai Paraná, Fabiano Scheer Hainosz, destacou o simbolismo do lançamento ocorrer justamente no Dia Mundial da Energia e reforçou a relevância do programa em um contexto de aumento dos custos energéticos para o setor produtivo.
“Em muitos segmentos, a energia representa um dos principais custos do processo produtivo. Quando falamos de eficiência energética, estamos falando diretamente de competitividade”, afirmou.
Segundo Hainosz, quatro pilares resumem a essência do PotencializEE: competitividade, tecnologia, sustentabilidade e capital.
“O empresário busca melhorar sua margem, ganhar eficiência e permanecer competitivo. O programa conecta acesso à tecnologia, modernização industrial, redução da pegada de carbono e caminhos possíveis de financiamento”, explicou.
Ele também ressaltou um dos principais diferenciais da iniciativa: a etapa consultiva integralmente subsidiada para micro, pequenas e médias indústrias.
“A consultoria conduzida pelo Senai é 100% gratuita na fase inicial. Já nessa etapa, é possível identificar ganhos expressivos em eficiência energética. E, quando avançamos para investimentos em infraestrutura, equipamentos e ações CAPEX, o potencial de retorno pode ser ainda maior”, concluiu.










