Saúde mental na adolescência acende alerta para sinais de risco e reforça papel do pediatra na escuta e intervenção precoce

 

Tema será um dos destaques do XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, que reúne especialistas para discutir os desafios atuais da infância e adolescência

O aumento dos casos de sofrimento psíquico entre adolescentes tem mobilizado profissionais da saúde e acendido um alerta para a importância do diagnóstico precoce e da escuta qualificada. Mudanças de comportamento, isolamento social, desinteresse por atividades habituais, sentimentos de desvalia e falas de desesperança estão entre os principais sinais que exigem atenção imediata de familiares e equipes de saúde. Nesse cenário, o papel do pediatra torna-se estratégico para identificar precocemente situações de risco e encaminhar intervenções adequadas, contribuindo para a prevenção de desfechos graves, como o suicídio.
A médica pediatra e hebiatra, especialista em adolescentes, Lilian Day Hagel, destaca que o risco suicida na adolescência é um dos eventos mais graves em saúde mental e costuma ter grande impacto pela forma como se manifesta e pelos contextos que o envolvem.
“A mudança de comportamento, relatos de desvalia, desinteresse, isolamento, falta de atividades e frases de desesperança, como dizer que a vida está ruim ou que ninguém gosta deles, são sinais de muita preocupação e devem ser sempre valorizados. O cuidado afetivo e a presença constante dos adultos podem ajudar na prevenção desse evento traumático, mas é fundamental procurar um profissional habilitado e confiável”, afirma a médica pediatra e hebiatra, especialista em adolescentes, Lilian Day Hagel.
Além do risco suicida, os transtornos alimentares seguem como um desafio relevante na adolescência, com quadros que podem evoluir para complicações graves, como desnutrição severa e distúrbios metabólicos. A especialista ressalta que, embora haja maior capacidade diagnóstica e mais recursos terapêuticos atualmente, a influência de fatores sociais, como a exposição nas mídias, ainda representa um agravante importante. O acompanhamento do crescimento, com avaliação de peso, altura e índice de massa corporal em curvas adequadas, aliado a uma escuta atenta, é fundamental para o diagnóstico e o manejo clínico.
No consultório, a abordagem desses temas exige preparo técnico e sensibilidade. O pediatra, especialmente no cuidado ao adolescente, deve considerar não apenas aspectos físicos, mas também fatores emocionais e sociais, incluindo ambiente familiar, rotina escolar, relações interpessoais, uso de telas e percepção da própria imagem. Estratégias estruturadas, como a abordagem HEEADSSS, auxiliam na condução da anamnese ampliada, permitindo uma conversa mais acolhedora, sem julgamentos e com garantia de sigilo.
A relevância desses temas estará em evidência no XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), que será realizado de quarta-feira a sexta-feira, de 21/05 a 23/05 de 2026, no Centro de Convenções Barra Shopping, em Porto Alegre. O evento reunirá pediatras, médicos residentes e profissionais da saúde para discutir, de forma prática e baseada em evidências, os principais desafios contemporâneos da assistência à criança e ao adolescente.
Serviço
XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria
Data: de 21/05 a 23/05 de 2026 (quarta-feira a sexta-feira)
Local: Centro de Convenções Barra Shopping Sul (Porto Alegre, RS)
Mais informações, programação completa e inscrições estão disponíveis em https://www.gauchopediatria.com.br/home.asp
Redação: Marcelo Matusiak