Imagem: Banco de Imagens
Criada para estimular o desenvolvimento econômico da região Norte, a Zona Franca de Manaus (ZFM) consolidou o transporte fluvial como eixo estratégico da logística amazônica e evidenciou gargalos estruturais que ainda impactam a competitividade brasileira. Sua implementação em 1967, a partir do Decreto-Lei nº 288, transformou a dinâmica econômica regional ao exigir uma estrutura de transporte capaz de abastecer o polo industrial e escoar a produção para os grandes centros consumidores do país.
Na avaliação da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), que vem estudando sobre a logística da região para a formação do livro “A História do Transporte da Amazônia”, o modelo implantado na Amazônia demonstrou a capacidade de adaptação logística às características territoriais da região, mas também evidenciou desafios históricos relacionados à infraestrutura e à integração entre modais. Ao longo das décadas, a operação regional passou a depender fortemente da articulação entre os transportes fluvial e aéreo para garantir conectividade e eficiência operacional.
Segundo o presidente da Fundação, Antonio Luiz Leite, a consolidação da Zona Franca exigiu a construção de soluções logísticas adaptadas à realidade amazônica. “A Amazônia sempre exigiu soluções logísticas compatíveis com suas características geográficas, ambientais e sociais. A implantação da Zona Franca reforçou essa necessidade ao demandar uma logística capaz de garantir o abastecimento contínuo do polo industrial e o escoamento da produção para diferentes regiões do país”, afirma.
Adaptada às condições geográficas da região, a navegação passou a desempenhar um papel central na integração territorial e na movimentação de cargas, especialmente diante das limitações rodoviárias e da ausência histórica de ferrovias. Paralelamente, o modal aéreo assumiu importância estratégica no transporte de produtos eletrônicos, componentes industriais e cargas de maior valor agregado.
“Em uma região marcada por grandes distâncias e desafios operacionais, o transporte aéreo ajudou a reduzir tempos logísticos e ampliar a conexão da Amazônia com mercados nacionais e internacionais. Isso mostra como a integração entre modais se tornou essencial para sustentar a dinâmica econômica regional”, explica Leite.
Para a Fundação, a experiência da Zona Franca também evidencia gargalos históricos da matriz de transporte brasileira, especialmente a baixa integração multimodal e a concentração operacional em poucos corredores logísticos. “Enquanto outras regiões do país foram estruturadas principalmente sobre rodovias, a Amazônia desenvolveu uma lógica própria baseada nos rios, mas sem receber investimentos proporcionais em infraestrutura multimodal. Essa realidade ainda impacta custos operacionais, prazos e previsibilidade logística”, finaliza o dirigente.







