Protocolos sazonais mais rigorosos tornam-se decisivos para proteger rebanhos, evitar perdas e sustentar a confiança dos mercados compradores
O inverno muda a rotina sanitária do agronegócio antes de mudar a paisagem. Temperaturas baixas, umidade alta e alterações no manejo concentram, em poucos meses, riscos que costumam ficar diluídos no restante do ano: doenças respiratórias em confinamentos, fungos em armazéns e maior suscetibilidade à contaminação no transporte de animais.
Conter essas ameaças tem peso econômico direto. A agropecuária cresceu 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e quanto maior a produção, maior é a receita exposta a uma eventual falha sanitária. O risco raramente fica restrito a uma propriedade, e um foco mal contido pode acionar restrições de trânsito animal e suspender o acesso de toda uma região aos mercados compradores, que cobram cada vez mais rastreabilidade e controle ao longo da cadeia. Prevenir patologias tornou-se proteção de faturamento.
“A estação amplia vulnerabilidades que passam despercebidas em outras épocas do ano. Uma falha de biossegurança nesse período gera impactos sanitários, produtivos e financeiros que se acumulam de maneira rápida. O custo da prevenção é muito menor do que o de administrar uma crise”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.
As frentes críticas se concentram em três gargalos. Nos rebanhos confinados, a tentativa de proteger os animais do frio reduz a ventilação e prolonga a permanência em ambientes fechados, o que faz a umidade e os gases do próprio confinamento se acumularem. Esse ar abafado irrita as vias respiratórias e abre caminho para o complexo respiratório que está entre as principais causas de perda de desempenho no período.
Os armazéns enfrentam outro tipo de ameaça. A alternância entre dias úmidos e variações de temperatura cria condições ideais para a proliferação de fungos que, além de prejudicar o grão, liberam micotoxinas. Elas contaminam a ração e chegam ao animal, comprometendo a sanidade e a produtividade de uma só vez.
A logística é a ponta mais difícil de controlar, justamente por estar em movimento. Caminhões de transporte circulam entre fazendas, frigoríficos e pontos de carregamento, e cada parada é uma oportunidade de levar e trazer agentes infecciosos. Quando a higienização falha, o veículo deixa de ser apenas meio de transporte e passa a funcionar como vetor.
Esse risco se intensifica com as chuvas sazonais, que mantêm pisos, grades e rampas úmidos por mais tempo e prolongam a sobrevivência de patógenos. O desafio prático do produtor é sanitizar a frota com rigor sem travá-la, num período em que cada hora de operação conta.
Tecnologias como o TADD System (Thermo-Assisted Drying and Decontamination), desenvolvido pelo Grupo Setta, entram como resposta a esse impasse. O sistema elimina patógenos com ar aquecido, em ciclos de menos de uma hora e sem a necessidade de produtos químicos, devolvendo o caminhão rapidamente à estrada, o que mantém o giro da frota sem abrir mão da segurança biológica.
“A biossegurança é, hoje, parte do que sustenta a confiança no produto brasileiro”, pontua Dias. “E o inverno é o teste definitivo dessa disciplina. Os protocolos que protegem o rebanho nos meses críticos são os mesmos que garantem a estabilidade da operação o ano inteiro.”
No agro brasileiro, a biossegurança já se firmou como rotina permanente, e não como uma corrida pontual contra o inverno. A estação apenas expõe, ano após ano, quem chega preparado e quem ainda trata a prevenção como conserto de última hora, diferença que, no fechamento de cada safra, separa a perda evitada do prejuízo contabilizado.












