Advogada exemplifica ações que podem ser implantadas nas empresas para cumprir nova NR1
Embora já esteja em vigor, ainda está em fase de adaptação, o que é, na visão da advogada Glauce Fonçatti, especialista no assunto, uma excelente oportunidade estratégica
A atualização da NR-1, que passa a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), representa mais do que uma exigência regulatória: é uma oportunidade para que as empresas revisem práticas de gestão, fortaleçam a cultura organizacional e promovam ambientes de trabalho mais saudáveis. É o que aponta a advogada especialista em direito do trabalho, Glauce Fonçatti, do Escritório Batistute Advogados. Embora já esteja em vigor, ainda está em fase de adaptação, o que é, na visão dela, uma excelente oportunidade estratégica.
“Mais do que atender a uma obrigação legal, as empresas podem utilizar esse momento para revisar processos internos, aprimorar a gestão de pessoas e construir ambientes mais seguros, colaborativos e produtivos. A prevenção dos riscos psicossociais começa pela forma como o trabalho é organizado e pelas relações estabelecidas no dia a dia corporativo”, afirma Glauce. A mudança ocorre em um contexto de crescente preocupação global com a saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), depressão e ansiedade provocam a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, gerando impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão.
A partir de agora, com a atualização da NR1, os fatores de risco psicossociais passam a integrar formalmente o inventário de riscos ocupacionais das empresas, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. “A norma reconhece que elementos como sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio, falhas de comunicação e falta de apoio da liderança podem comprometer a saúde mental dos trabalhadores e devem ser identificados, avaliados e tratados de forma preventiva”, diz a advogada.
Entre as boas práticas que podem ser adotadas, na avaliação de Glauce, estão a revisão de metas e indicadores para garantir que sejam realistas e compatíveis com a capacidade operacional das equipes; a capacitação de gestores para identificar sinais de sofrimento emocional e conduzir conversas difíceis; a criação de canais seguros para denúncias e relatos de assédio; e a realização periódica de pesquisas de clima organizacional para mapear fatores de risco antes que eles resultem em adoecimento ou afastamentos.
Outra medida importante é ampliar os mecanismos de escuta dos trabalhadores e incentivar sua participação na construção de soluções. “Programas de desenvolvimento de lideranças, políticas claras de respeito e diversidade, ações de prevenção ao assédio e iniciativas voltadas ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal contribuem para reduzir fatores de estresse e fortalecer o sentimento de pertencimento das equipes”, observa a especialista. As diretrizes da OMS e da OIT destacam justamente a necessidade de enfrentar cargas excessivas de trabalho, comportamentos negativos e outros fatores organizacionais que afetam a saúde mental.
Ao incorporar a gestão dos riscos psicossociais à rotina corporativa, as empresas não apenas avançam na conformidade com a NR-1, mas, também, reforçam sua capacidade de atrair talentos, reduzir afastamentos e aumentar a produtividade. “Em um cenário em que a saúde mental ganha espaço nas agendas corporativas e regulatórias, a prevenção deixa de ser um diferencial e passa a fazer parte da sustentabilidade dos negócios e da responsabilidade social das organizações.”












