Com 36% das ocorrências em 2025, esse tipo de acidente reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção nas rodovias, afirma a ABTLP
As colisões traseiras concentraram 36% dos sinistros envolvendo o transporte rodoviário de produtos perigosos no Estado de São Paulo em 2025, ocupando a primeira posição entre os tipos de ocorrência registrados. Na sequência, aparecem os choques, com 15%, as colisões laterais, com 12%, e os tombamentos, com 11%, segundo dados apurados no Relatório Anual de Ocorrências no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos.
O levantamento foi elaborado pela Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), e permite observar não apenas o volume de ocorrências, mas também os padrões mais recorrentes nos acidentes.
Nesse contexto, a liderança das colisões traseiras chama atenção para um fator importante: em muitos desses casos, os veículos de carga são atingidos por outros condutores, o que evidencia riscos associados à dinâmica cotidiana das rodovias e ao comportamento de todos os usuários das vias.
Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), o dado reforça a importância de ampliar a análise sobre os fatores envolvidos nos sinistros e compreender de forma mais precisa o que está por trás das ocorrências registradas nas rodovias. “Basicamente, a colisão traseira resulta da combinação entre a desatenção do condutor e a insuficiência da distância de segurança, não estando relacionada ao produto transportado, mas ao comportamento dos usuários das vias, sendo um padrão recorrente no trânsito em geral”, afirma Oswaldo Caixeta, presidente da entidade.
Na avaliação da entidade, a leitura detalhada dos dados é fundamental para diferenciar os fatores diretamente ligados à operação do transporte daqueles associados ao ambiente viário como um todo. Essa compreensão permite direcionar melhor campanhas de orientação, ações de capacitação e medidas de prevenção, evitando que os sinistros sejam analisados apenas pela presença de produtos perigosos na carga.
Segundo Caixeta, esse ponto é essencial para evitar uma leitura simplificada dos dados. “Nossos motoristas recebem qualificação e treinamentos constantes, incluindo direção defensiva, porém continuam sujeitos a compartilhar as vias com condutores convencionais, cujas condutas muitas vezes influenciam diretamente a ocorrência desse tipo de acidente”, destaca.
O presidente da ABTLP ressalta que, por envolver cargas que podem gerar consequências mais graves em caso de acidente, o setor atua de forma permanente na prevenção. “O segmento de transporte de produtos perigosos é referência em segurança e qualificação operacional, sempre adotando uma postura preventiva, e não reativa, por compreender a grande responsabilidade atribuída às empresas transportadoras diante das consequências que um acidente pode ocasionar”, complementa.
Como parte desse trabalho preventivo, a ABTLP desenvolveu, em parceria com o SEST SENAT, o Curso de Formação de Condutores para Combinações de Veículos de Carga (CVC), oferecido gratuitamente na modalidade EAD, com carga horária de 20 horas e certificado de conclusão. A capacitação aborda temas como inspeção pré-viagem, técnicas de condução, frenagem, manobras, transporte de cargas líquidas, legislação e gestão de riscos. Para a entidade, transformar dados em orientação prática é uma das formas mais efetivas de fortalecer a segurança operacional, apoiar as transportadoras e contribuir para a redução de sinistros no transporte rodoviário de produtos perigosos.
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Sobre a ABTLP:
A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos representa transportadores e operadores logísticos de produtos perigosos no Brasil. Fundada em 1998, atua em âmbito nacional, oferecendo treinamentos, assessoria técnica e jurídica, atualização de normas e disseminação de boas práticas. A entidade colabora com órgãos públicos na regulamentação do setor e defende os interesses de seus associados, empresários individuais e as sociedades empresariais do setor de Transporte Rodoviário de Cargas.
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