
Desde dezembro de 2019, quando os primeiros casos de coronavírus
surgiram na China, o mundo ligou o alerta para uma doença desconhecida e
silenciosa. Sem tratamento ou profilaxia, o vírus Sars-Cov-2, se espalhou e
rompeu as fronteiras mundiais. O cenário global foi se alterando dia após
dia, e o medo de uma pandemia começou a se instalar. Com um tema delicado e
cheio de vieses, a presidente da Federasul, Simone Leite, mediou mais uma
edição do Tá na Mesa, que segue sendo transmitido pelas redes sociais da
Entidade. Cristiane Hernandes, médica infectologista da Unimed Federação/RS
e o ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de
Infecção Hospitalar (AGIH) e médico infectologista, Ricardo Zimerman.
Para a médica Cristiane Hernandes, “há muito que se aprender com
esta doença. Estamos “trocando o pneu” com o carro andando”, ilustrou. A
infectologista fez questão de ressaltar que o Rio Grande do Sul possui
singularidades, assim como qualquer outra localidade mundo afora. ”O Estado
avança gradativamente o número de infectados. Existe o que chamamos de
diferenças epidemiológicas”, disse.
A principal “chaga”, de acordo com a médica, é a falta de
orientação e a consequência é o pânico na sociedade. Assim como a Federasul
já vem defendendo (distanciamento controlado), Cristiane corroborou com o
posicionamento e acredita que o olhar deve ser diferente para cada local,
não um olhar único sobre determinada região.
Ricardo Zimerman, que presidiu a AGIH, parte do raciocínio que por
ser um vírus desconhecido, e que a origem do mesmo possa ter surgido de
diversos vetores, como animais silvestres ou uma mutação coletiva de outros
vírus da família corona, atualmente estão catalogados seis tipos, dos mais
de 500 que podem existir. “O que houve foi a superestimação da letalidade e
mortalidade da infecção. Estudos comprovam que asiáticos são mais propensos
à COVID-19, por uma questão genética”, afirmou.
De acordo com dados informados pelo infectologista, a letalidade na
Ásia pode chegar 0,9% da população, na Europa e países nórdicos (0,2%) e a
tendência é que países das Américas (0,03% a 0,2%). O modo de se espalhar é
conhecido como clusters, ou seja, pode existir em uma região e jamais chegar
numa cidade ao lado. Para Zimerman “políticas muito disruptivas acabam por
interferir na vida como um todo. O perigo está no extremismo”, disse.
Atividades Essenciais
Ricardo Zimerman criticou e chamou de falácia e preconceituosa a
determinação do que é ou não essencial. Segundo ele “o critério deve estar
baseado na sorologia e não na “essencialidade”, além de observar a
capacidade das UTIs”. Esse é critério adotado por Harvard, que aconselha
restrição total quando se registra a partir de 37,5 casos por 10 mil
habitantes. No RS, o lockdown aconteceu quando foi registrado 5
casos por 10 mil habitantes.
Uso de máscaras
O retorno às atividades deve ser consciente, afirmou Cristiane. Na
visão de ambos, a permanência em casa deve ser apenas de integrantes do
grupo de risco. O uso de máscara protege quem está usando, mas não o que não
está. Segundo Zimerman as gotículas conseguem sair, mas não conseguem
entrar, e são elas o meio transmissor.
Higiene
“Não é lavando o tomate do mercado ou evitar contato com o esgoto
que a pessoa estará livre de ser infectada. Se as pessoas começaram a
higienizar alimentos apenas agora, o erro está nisso, e também não evite o
contágio”, afirmou Ricardo.
Volta às aulas
Cristiane Hernandes defende o retorno consciente, e a criação de
protocolos que proíbam o uso de bebedouros, recreio por rodízios, barreiras
de proteção entre as classes, mensuração de temperatura e a disponibilização
de dispenseres de álcool gel. Alunos, a partir de 16 anos, devem usar
máscaras. O risco epidemiológico infantil é baixo, de acordo com Zimerman.
Temperatura e multiplicação
De acordo com ensaios publicados, quanto maior a temperatura e a
umidade, pior para o vírus, porém “as conexões com locais mais propensos à
doença, facilitam a proliferação”, disse Ricardo, que usou a situação do
Ceará, segundo epicentro nacional e que possui três voos semanais para a
região da Lombardia, local de maior infestação do coronavírus na Itália.
Protocolos e Tratamentos
Falta de evidencias cientificas sobre qual determinada droga
utilizar dificulta o tratamento. Porém, Cristiane afirmou que “o olhar deve
ser ao paciente, com um tratamento individualizado”, disse. Para Zimerman ”a
ausência de evidências não é evidência de ausência”.
Para Cristiane, que possui experiência com pacientes infectados
pelo HIV, a população deve, sim, se preocupar com as suas doenças e não
abandonar tratamentos. “As pessoas com câncer, diabetes e cardiopatias
precisam ser acompanhadas. O extremismo é ruim em todos os sentidos”.
Reflexos políticos
Zimerman condenou as ações tomadas pelo governador de SP, que na
visão dele “tolheu as liberdades individualidades e ameaçou confiscar EPIs
junto à iniciativa privada. Erros e extremos acontecem em âmbito federal,
porém concordo com as linhas adotadas pelo Planalto”. E ressaltou: “a
letalidade é a mesma que uma gripe, mas a mortalidade é maior. Então, não é
uma “gripezinha”, disse Ricardo.
Futuro
Atualmente mais de 100 grupos pesquisam vacinas e remédios contra o
coronavírus. Zimerman e Cristiane concordaram que o prognóstico é bom e os
números de mortalidade não se confirmarão. Simone Leite, ao fim do evento,
pediu equilíbrio e bom senso aos gestores públicos.
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