Simpósio interdisciplinar apresentou técnicas que permitem
detectar sinais ocultos de doenças degenerativas e tratamentos mais assertivos
para o público masculino, desde que eles procurem auxílio médico
As doenças cardiovasculares,
incluindo acidente vascular cerebral, e o câncer de próstata estão entre as
principais causas de morte entre os brasileiros do sexo masculino. E as doenças
degenerativas, como Parkinson e Alzheimer, vêm crescendo entre os homens à
medida que aumenta a sua expectativa de vida, atualmente de 73,3 anos, segundo
o IBGE. Mas, elas podem ser evitadas ou ter a sua evolução retardada, quando
diagnosticadas e tratadas precocemente. O que ocorre, porém, é que “eles”
cuidam menos da saúde do que as mulheres.
O Simpósio Anual Interdisciplinar sobre a Saúde do Homem, promovido pela UDDO
Medicina Diagnóstica, rede de clínica especializada em medicina nuclear, em
parceria com Hospital Santa Virgínia, em São Paulo, discutiu o tema, no último
dia 14 de setembro, abordando o tratamento e
prevenção de doenças cardíacas, câncer de próstata e saúde mental no público
masculino.
A principal barreira apontada
para prevenção e tratamento precoce de doenças degenerativas entre os homens,
segundo os palestrantes, é a falta de cuidado com a saúde. Um levantamento mostra que somente em São Paulo entre mais de
85 mil pessoas que procuraram atendimento em pronto socorro e centros médicos,
a passagem dos homens é 25% menor do que as mulheres, segundo o nefrologista
Mauro Oliveira, coordenador de práticas assistenciais do Hospital Santa
Virgínia.
Diagnósticos de doenças cardiovasculares –
“Estudos mostram que os homens infartam 10 anos mais cedo e as mulheres 10 anos
mais tarde”, afirma o cardiologista Ney Guiguer Jr., do Hospital Santa
Virgínia. A incidência varia conforme a idade, mas fatores de risco como a
hipertensão, diabetes, o colesterol alto têm o peso maior. O médico ressalta
que quanto mais cedo forem diagnosticadas e tratadas essas comorbidades menores
são as chances de ocorrer o infarto. No caso do colesterol, o tratamento
precoce pode reduzir em até 56% o risco de infarto entre a população de forma
geral, entre 40 e 49 anos. Já o tratamento iniciado depois dos 80 anos esse
índice cai para apenas 15%.
Entre as
técnicas disponíveis que permitem diagnóstico preciso e precoce estão a
ressonância magnética e tomografia computadorizada. A ressonância é indicada
para investigação de isquemia assintomática e de risco intermediário e extensão
da obstrução dos vasos, avaliação funcional do coração desde os ventrículos até
o volume, a massa e espessura do miocárdio, para detecção da fibrose,
inflamações como miocardite, possibilitando ao médico planejar melhor o
tratamento.
A
angiotomografia complementa o exame de ecocardiograma ao detectar com mais
precisão a presença da placa de cálcio nos vasos nas áreas mais internas do
organismo e avaliar o grau de obstrução da parede coronariana. “O exame serve
para tirar dúvidas quando se tem resultados conflitantes entre a avaliação
clínica e demais exames de imagem, e avaliar as chances do paciente infartar nos
próximos dias”, afirma Igor Rother de
Oliveira, radiologista especializada em imagem abdominal e sistema
cardiovascular do Grupo Fleury.
O PET-CT é ferramenta por
excelência para avaliação de sarcoidose cardíaca, detectar extensão maior de
microcalcificação nas artérias e vasos capilares, além de tumores e outras
doenças inflamatórias, como endocardite e miocardite. Segundo o médico nuclear
Celso Dario Ramos, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a
técnica permite identificar com mais especificidade calcificações e anomalias
mais ocultos que não são possíveis de detectar pela ressonância.
Cuidados com câncer de próstata – Apesar
do câncer, inclusive o câncer de próstata, ser a segunda causa de mortandade
entre os homens, dois terços dos homens com mais de 40 anos nunca fizeram exame
de toque retal e nem exame de sangue para avaliação de PSA, ressalta o
urologista Roni de Carvalho Fernandes, professor assistente da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. “Não existem formas de prevenção de câncer de
próstata. Então só nos resta fazer exames para diagnóstico precoce”, afirma.
“Quando a doença é tratada adequadamente na fase inicial as chances de cura
gira em torno de 90% a 95%”.
Já nos casos de câncer de
próstata de alto risco, o PET-CT com o radiofármaco PSMA apresenta vantagens em
relação a outros métodos de exames de imagem convencional por ter maior
acurácia para avaliar estadiamento da doença, pois pode detectar cerca de 30% a
mais de metástase linfonodais e 20% de lesões ocultas. De acordo com o médico
nuclear, José Geraldo de Almeida Filho, da UDDO, a técnica, por ser mais
assertiva, pode ser utilizada para estadiamento da doença e selecionar melhor
os pacientes para radioterapia.
Além da quimioterapia, a
radioterapia com Rádio 223 tem apresentado resultados satisfatórios nos casos
de câncer de próstata mais avançada, com metástase óssea. “É uma radioterapia
de baixa toxicidade, com poucos efeitos colaterais, indicado aos pacientes que
não tiveram uma resposta com outras terapias”, afirma a médica nuclear Márcia
Modesto, da UDDO. Segundo Márcia, estudos mostram que há uma redução de 30% de
risco de morte o tratamento com Rádio 223 e aumento de sobrevida de 24 meses. A
aplicação pode ser iniciada antes da progressão da doença, inclusive combinado
com os principais medicamentos quimioterápicos, e retomado quando o paciente
sentir dor ou uma piora.
Avaliação da saúde mental – No campo da saúde
mental, o PET-CT tem função importante para obter um diagnóstico mais confiável
e preciso. Com a técnica é possível mapear com mais objetividade as funções do
neurônio, as áreas do cérebro afetadas, se o déficit cerebral é associado ao
Parkinson, Alzheimer ou outro tipo de patologia. “Ao fornecer um mapeamento com
maior confiabilidade, podemos fazer um controle melhor doença, identificando o
alvo e momento certo de atuar, descobrir intervenções que possam prevenir ou
atrasar a evolução da demência e seu impacto na economia e na sociedade”,
conclui Carlos Alberto Buchpiguel
diretor do departamento de Medicina Nuclear do Hospital Sírio Libanês.





