{"id":195351,"date":"2024-09-05T13:39:21","date_gmt":"2024-09-05T16:39:21","guid":{"rendered":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/?p=195351"},"modified":"2024-09-05T22:48:18","modified_gmt":"2024-09-06T01:48:18","slug":"pauta-estagiarios-da-esg-conhecem-agricultura-estrategica-e-sustentavel-na-embrapa-cerrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2024\/09\/pauta-estagiarios-da-esg-conhecem-agricultura-estrategica-e-sustentavel-na-embrapa-cerrados\/","title":{"rendered":"Estagi\u00e1rios da ESG conhecem agricultura estrat\u00e9gica e sustent\u00e1vel na Embrapa Cerrados"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"gmail-titulo\" style=\"margin: 0px auto 2.5rem; font-family: Inter,sans-serif; line-height: 2.1rem; color: #3a74b0; font-size: 2rem; max-width: 880px;\"><\/h1>\n<p class=\"gmail-fonte-imagem-principal\" style=\"margin: 0px; font-size: 0.8rem;\">Foto: Juliana Caldas<\/p>\n<p><a class=\"gmail-imagem-ampliada gmail-image-viewer-link\" style=\"color: inherit; text-decoration-line: none;\" title=\"- Foto: Juliana Caldas\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&amp;t=1725537057418\" target=\"_blank\" rel=\"lightbox noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/ywAAAAAAQABAAACAUwAOw==\" fifu-lazy=\"1\" fifu-data-sizes=\"auto\" fifu-data-srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=75&resize=75&ssl=1 75w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=100&resize=100&ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=150&resize=150&ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=240&resize=240&ssl=1 240w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=320&resize=320&ssl=1 320w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=500&resize=500&ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=640&resize=640&ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=800&resize=800&ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=1024&resize=1024&ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=1280&resize=1280&ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1&w=1600&resize=1600&ssl=1 1600w\" class=\"gmail-imagem-principal-mini gmail-img-responsive\" style=\"max-width: 880px; height: auto; vertical-align: middle; border: 0px; width: 880px; display: inline-block;\" title=\"Juliana Caldas -\" fifu-data-src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.embrapa.br\/image\/journal\/article?img_id=92277993&t=1725537057418&width=880&ssl=1\" alt=\"Juliana Caldas -\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Participantes do Curso de Altos Estudos de Pol\u00edtica e Estrat\u00e9gia (Caepe), da Escola Superior de Guerra (ESG), instituto ligado ao Minist\u00e9rio da Defesa, estiveram na \u00faltima quinta-feira (29) na Embrapa Cerrados (DF). A visita fez parte de uma programa\u00e7\u00e3o que o grupo, formado por cerca de 80 pessoas, cumpriu em Bras\u00edlia, na \u00faltima semana de agosto. \u201cA finalidade da Escola Superior de Guerra \u00e9 estudar o Brasil\u201d, afirmou, na ocasi\u00e3o, o diretor do Caepe, brigadeiro H\u00e9lio Severino Filho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Segundo ele, o objetivo do curso, cuja turma \u00e9 formada por militares e civis, \u00e9 fazer com que todos os estagi\u00e1rios, como s\u00e3o chamados os participantes, conhe\u00e7am as \u00e1reas mais importantes do Brasil. \u201cNesse sentido, a Embrapa n\u00e3o poderia ficar de fora dessa programa\u00e7\u00e3o\u201d, destacou. No centro de pesquisa, as palestras focaram nos projetos estrat\u00e9gicos da Embrapa Cerrados e nos seguintes temas: bioan\u00e1lise de solo, servi\u00e7os ambientais, Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta e trigo no Cerrado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Sebasti\u00e3o Pedro, chefe-geral da Embrapa Cerrados,\u00a0apresentou aos visitantes o cen\u00e1rio atual da produ\u00e7\u00e3o brasileira de alimentos. Cerca de 24% do PIB brasileiro \u00e9 gerado pela agricultura, dentro e fora da porteira \u2013 nas fazendas e na ind\u00fastria de insumos e servi\u00e7os vinculados ao setor. O gestor afirmou que os munic\u00edpios onde \u00e9 desenvolvida agricultura t\u00eam melhores \u00edndices de desenvolvimento humano e oferecem maior qualidade de vida \u00e0s suas popula\u00e7\u00f5es e ainda destacou a relev\u00e2ncia da atividade: \u201cNo cen\u00e1rio global, alimentamos nossa popula\u00e7\u00e3o, geramos receita e ajudamos a alimentar o mundo. Mas temos que mostrar ao mundo que temos governan\u00e7a social e ambiental na nossa produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Sebasti\u00e3o Pedro mostrou os altos custos da produ\u00e7\u00e3o no Brasil, devido \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de insumos e ao pagamento de royalties e taxas de importa\u00e7\u00e3o para uso de tecnologias produzidas no exterior. No entanto, ressaltou que o uso de tecnologias nacionais permite ao produtor rural reduzir esses valores. Defensivos qu\u00edmicos s\u00e3o substitu\u00eddos por produtos de origem biol\u00f3gica e a fertiliza\u00e7\u00e3o do solo pode ser solucionada com produtos naturais, de origem mineral ou org\u00e2nico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Ao mesmo tempo em que tornam vi\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds, as tecnologias dispon\u00edveis para os produtores rurais podem fazer com que a agricultura deixe de ser uma emissora de gases de efeito estufa e passe a capturar esses gases da atmosfera com ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de manejo. \u201cNossa agricultura cresce baseada em inova\u00e7\u00e3o, criada pela pesquisa oficial, feita pela Embrapa e pelas universidades, associada \u00e0 pesquisa privada, feita pelas empresas. E o mundo cresce baseado em inova\u00e7\u00e3o, que agrega valor \u00e0s solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Agnaldo Pinto da Silva, superintendente de Agricultura e Pecu\u00e1ria do MAPA no Estado do Rio de Janeiro,\u00a0um dos participantes do curso, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da agricultura do Brasil. Ele destacou a informa\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de que o agro cresceu 15,1%, de 2022 para 2023, gerando R$ 10,9 trilh\u00f5es para o pa\u00eds: \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida sobre a pot\u00eancia da nossa agricultura para a nossa Na\u00e7\u00e3o. O nosso agro \u00e9 motivo de orgulho\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<h4 style=\"margin: 1rem 0px 0px; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.25rem;\"><\/h4>\n<h3 style=\"margin: 10px 0px 1rem; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.563rem;\"><strong>Bioan\u00e1lise de solos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Uma dessas inova\u00e7\u00f5es desenvolvidas pela Embrapa de forma pioneira foi apresentada ao grupo: a tecnologia de Bioan\u00e1lise de Solos (BioAS). Lan\u00e7ada em 2020, ela permitiu agregar o componente biol\u00f3gico \u00e0s an\u00e1lises de rotina de solos. \u201c\u00c9 como se fosse um exame de sangue do solo. Da mesma forma que voc\u00ea faz um exame de sangue para saber se voc\u00ea tem algum problema assintom\u00e1tico de sa\u00fade, fazemos a bioan\u00e1lise para detectar problemas assintom\u00e1ticos de sa\u00fade do solo antes que eles se reflitam em termos de perda de rendimento de gr\u00e3os nas nossas lavouras\u201d, explicou a pesquisadora Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">A tecnologia BioAS consiste na an\u00e1lise de duas enzimas (beta-glicosidase e arilsulfatase) que est\u00e3o relacionadas ao potencial produtivo e \u00e0 sustentabilidade do uso do solo. \u201cO pessoal esquece que o solo \u00e9 vivo, com uma diversidade grande de microrganismos. E ele pode adoecer. Hoje sabemos, por meio de muitos dados de pesquisa, que os solos saud\u00e1veis produzem cerca de 600 quilos a mais de soja por hectare. Mas, a quest\u00e3o da sa\u00fade do solo n\u00e3o tem s\u00f3 rela\u00e7\u00e3o com produtividade\u201d, esclareceu a especialista. \u201cSolos saud\u00e1veis s\u00e3o mais resilientes e toleram mais os estresses h\u00eddricos, al\u00e9m de serem mais produtivos\u201d, completou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Segundo a pesquisadora, a partir desse trabalho in\u00e9dito, o Brasil est\u00e1 formando o maior banco de dados de atividade enzim\u00e1tica de solos do mundo. \u201cHoje j\u00e1 temos dados de mais de mil munic\u00edpios do Brasil. Em torno de 20% do territ\u00f3rio do pa\u00eds est\u00e1 representado nesse mapa da sa\u00fade dos solos dos munic\u00edpios brasileiros e ele cresce o tempo todo\u201d. De acordo com os dados j\u00e1 obtidos, a maior parte dos solos do Brasil analisados est\u00e3o saud\u00e1veis e em recupera\u00e7\u00e3o e apenas 3% est\u00e1 doente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">\u201cO Brasil hoje est\u00e1 mostrando para o mundo que avaliar a sa\u00fade do solo n\u00e3o precisa ser um processo caro e complexo, mas pode ser simples, barato e eficiente. No futuro, queremos ter uma agricultura que vai produzir comida, mas que tamb\u00e9m vai prestar servi\u00e7os ambientais e o agricultor ser pago por isso\u201d, destacou Ieda Mendes. Segundo ela, a tecnologia BioAS pode ainda ser utilizada como m\u00e9trica para separar as diferentes fazendas. \u201cCom a bioan\u00e1lise, podemos at\u00e9 come\u00e7ar a pensar em seguro agr\u00edcola diferenciado para os produtores\u201d, avalia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">\n<h3 style=\"margin: 10px 0px 1rem; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.563rem;\"><strong>Servi\u00e7os ambientais\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">\u201cTemos um desafio enorme, que \u00e9 unir a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade do Cerrado com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, explicou em sua palestra a pesquisadora Fabiana Aquino. Ela tratou dos servi\u00e7os ambientais, que s\u00e3o as atividades humanas que favorecem a conserva\u00e7\u00e3o, a melhoria dos ecossistemas e dos servi\u00e7os prestados pelos ecossistemas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">De acordo com ela, a propriedade agr\u00edcola precisa ser produtiva, mas os recursos naturais s\u00e3o limitados e \u00e9 fundamental pensar sobre isso. \u201cNosso pa\u00eds possui uma megabiodiversidade e potencial agr\u00edcola muito grande. Temos que aproveitar isso. Podemos manter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e seus organismos associados, sem abrir m\u00e3o da nossa pujan\u00e7a em termos agr\u00edcolas, adotando as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas sustent\u00e1veis. Precisamos contar com essa abordagem integrada, que considera as m\u00faltiplas dimens\u00f5es e promove maior equil\u00edbrio\u201d, enfatizou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Uma ferramenta importante nesse sentido \u00e9 a pol\u00edtica de pagamento por servi\u00e7os ambientais, institu\u00edda pela Lei 14.119, de 13 de janeiro de 2021. \u201cTrata-se de um instrumento econ\u00f4mico que visa recompensar aquele que conserva o meio ambiente e, assim, produz ou mant\u00e9m os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. \u00c9 uma pol\u00edtica interessante porque beneficia exatamente aqueles propriet\u00e1rios que usam pr\u00e1ticas conservacionistas e que devem ser reconhecidos por isso\u201d, explicou Fabiana Aquino.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Como exemplo de como essa a\u00e7\u00e3o pode ser colocada em pr\u00e1tica, ela citou o Projeto Produtor de \u00c1gua no Pipiripau &#8211; DF, que conta com o apoio da Embrapa como uma das institui\u00e7\u00f5es parceiras. O projeto faz parte do Programa Produtor de \u00c1gua da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) e tem como objetivo a revitaliza\u00e7\u00e3o ambiental de bacias hidrogr\u00e1ficas. \u201cNa bacia do Ribeir\u00e3o Pipiripau havia um conflito grande pelo uso da \u00e1gua e era preciso melhorar as pr\u00e1ticas utilizadas\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">A pesquisadora concluiu dizendo que as ferramentas para gerir de uma forma melhor os recursos naturais j\u00e1 existem. \u201cS\u00f3 precisamos exercitar esses modelos, especialmente os que v\u00e3o beneficiar diretamente os produtores rurais\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<h4 style=\"margin: 1rem 0px 0px; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.25rem;\"><\/h4>\n<h3 style=\"margin: 10px 0px 1rem; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.563rem;\"><strong>Trigo no Cerrado<\/strong><\/h3>\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">A programa\u00e7\u00e3o prosseguiu com visitas de campo. O pesquisador Angelo Sussel repassou informa\u00e7\u00f5es sobre a cultura do trigo, o mercado e os desafios da pesquisa nessa \u00e1rea. Hoje o Brasil produz cerca de 9 milh\u00f5es de toneladas de trigo, mas o consumo \u00e9 de quase 12 milh\u00f5es, sendo que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 concentrada na regi\u00e3o sul e o consumo, nas regi\u00f5es sudeste e nordeste.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">\u201cO desafio da pesquisa era trazer a triticultura para a regi\u00e3o tropical; que n\u00e3o era acostumada a plantar trigo, ou por n\u00e3o ter materiais adaptados ou por n\u00e3o ter mesmo a cultura desse tipo de produ\u00e7\u00e3o\u201d, contou Sussel. \u201cFizemos um trabalho de dividir o pa\u00eds em regi\u00f5es mais homog\u00eaneas, onde poder\u00edamos desenvolver materiais e recomend\u00e1-los para aquela determinada regi\u00e3o. Dessa forma, dividimos o pa\u00eds em quatro regi\u00f5es produtoras de trigo e cada programa de melhoramento desenvolve seus materiais focados para cada uma delas\u201d, explicou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Segundo o pesquisador, esse trabalho veio principalmente para atender o potencial que o Cerrado brasileiro tem de produ\u00e7\u00e3o de trigo, tanto no sistema sequeiro, quanto irrigado. \u201cO trigo sequeiro entra logo ap\u00f3s a retirada da soja, entre fevereiro e mar\u00e7o, e \u00e9 colhido em junho. O irrigado tem janela diferente. Tem semeadura em maio e a colheita em setembro\u201d, detalhou. De acordo com Sussel, h\u00e1 uma grande vantagem de ter essas datas de plantio e colheita diferenciadas: \u201cEles [produtores da regi\u00e3o sul] colhem apenas entre outubro a dezembro. Ent\u00e3o conseguimos preencher uma lacuna da comercializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">O pesquisador apresentou os resultados j\u00e1 alcan\u00e7ados pelo programa, com o desenvolvimento de variedades adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do Cerrado. \u201cA BRS 404 \u00e9 a \u00fanica que consegue suportar o calor e a seca e \u00e9 a mais produtiva tamb\u00e9m. J\u00e1 para o sistema irrigado, temos como destaque a BRS 264, BRS 254 e BRS 394\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Sussel relatou o que os pesquisadores buscam ao desenvolver esses novos materiais: toler\u00e2ncia a doen\u00e7as, ao calor e a seca, ao acamamento, al\u00e9m de altas produtividades. \u00c9 o caso da BRS 264, extremamente produtiva e com excelente aceita\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria. Ela alcan\u00e7ou o recorde mundial de produtividade di\u00e1ria: 9.630 kg\/ha, isto \u00e9, 80,9 kg\/ha\/dia, ou 160,5 sc\/ha, em colheita no munic\u00edpio de Cristalina (GO) em 2021.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<h4 style=\"margin: 1rem 0px 0px; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.25rem;\"><\/h4>\n<h3 style=\"margin: 10px 0px 1rem; font-family: inherit; line-height: 1; color: inherit; font-size: 1.563rem;\"><strong>Sistemas integrados<\/strong><\/h3>\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">A visita foi finalizada na \u00e1rea experimental de Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta. O pesquisador Lourival Vilela, pioneiro nos estudos de sistemas integrados, relatou como os trabalhos come\u00e7aram e os resultados j\u00e1 alcan\u00e7ados. \u201cTemos o experimento de ILP mais antigo do Cerrado. Foi implantado numa \u00e1rea pr\u00f3xima dessa, em 1990\u201d, contou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Vilela relatou que o objetivo era usar a agricultura para recuperar pastos degradados. \u201cFoi um grande desafio. A agricultura naquela \u00e9poca era s\u00f3 soja e milho, n\u00e3o t\u00ednhamos muitas alternativas de rota\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a pecu\u00e1ria era do s\u00e9culo passado. Os pecuaristas n\u00e3o eram acostumados a buscar tecnologia\u201d, relembrou. Em 2009, os estudos inclu\u00edram o componente florestal no sistema, com o eucalipto e outras esp\u00e9cies nativas. Hoje, o experimento de ILPF \u00e9 o mais visitado da Embrapa Cerrados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">\u201cNosso desafio aqui na \u00e1rea de sistemas integrados \u00e9 conciliar o aumento de produtividade com baixo impacto ambiental\u201d, complementou o pesquisador Roberto Guimar\u00e3es J\u00fanior. Segundo ele, por meio dos sistemas integrados, \u00e9 poss\u00edvel aumentar a produtividade da \u00e1rea e os indicadores ambientais. \u201cIsso a pesquisa tem mostrado com consist\u00eancia ao longo dos anos. Aqui nos preocupamos muito em medir tudo o que temos feito\u201d, afirmou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Segundo o pesquisador, os estudos mostram que quando se integra a agricultura e a pecu\u00e1ria a quantidade de carbono estocado no solo aumenta em torno de cinco vezes: \u201cE carbono no solo tem tudo a ver, n\u00e3o s\u00f3 com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 tem a ver com aumento de produtividade, com aumento da biodiversidade do solo, com aumento da infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo, que \u00e9 uma quest\u00e3o de extrema import\u00e2ncia em cultivos agr\u00edcolas\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">De acordo com o especialista, h\u00e1 estudos mostrando que, em \u00e1reas de ILP, o carbono no solo chega a atingir n\u00edveis equivalentes ao do Cerrado nativo, com a utiliza\u00e7\u00e3o de agricultura, pastagens e animal. \u201cIsso, do ponto de vista estrat\u00e9gico, \u00e9 muito importante. Recebemos aqui muitas visitas internacionais, embaixadores, vem muitos formadores de opini\u00e3o, como os senhores, e para n\u00f3s \u00e9 importante que todos saiam daqui convencidos de que \u00e9 poss\u00edvel produzir, aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, preservar\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">O pesquisador enfatizou que nos dias atuais o Brasil n\u00e3o tem necessidade nenhuma, com as tecnologias dispon\u00edveis, de desmatar novas \u00e1reas para produzir alimentos. \u201cAtualmente, temos um passivo ambiental em torno de 36 milh\u00f5es de hectares de pastagens de baixa produtividade, j\u00e1 mapeados por sat\u00e9lite. Desses, 28 milh\u00f5es possuem plena condi\u00e7\u00e3o de serem recuperados com agricultura. Possu\u00edmos todas as ferramentas para tornar o Brasil uma pot\u00eancia ainda maior na produ\u00e7\u00e3o de alimentos e tamb\u00e9m uma refer\u00eancia em termos ambientais\u201d, destacou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p style=\"margin: 0px 0px 1rem; font-size: 1.1rem; line-height: 1.8rem; max-width: 980px;\">Para o pesquisador Roberto Guimar\u00e3es J\u00fanior, n\u00e3o h\u00e1 nenhum pa\u00eds no mundo que \u00e9 capaz de fazer o que o Brasil faz hoje em termos de agricultura e pecu\u00e1ria. \u201cNossa pecu\u00e1ria \u00e9 96% realizada a pasto e a nossa agricultura tem mais de 60% da \u00e1rea com solo coberto o ano todo. Isso \u00e9 sustentabilidade, isso \u00e9 carbono, \u00e9 dinheiro no bolso do produtor e isso \u00e9 uso da tecnologia\u201d, finalizou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"gmail-autor\" style=\"margin: 0px 0px 1rem; max-width: 880px;\">Juliana Caldas\u00a0(MTb 4861\/DF)<br \/>\nEmbrapa Cerrados<\/p>\n<p class=\"gmail-autor\" style=\"margin: 0px; max-width: 880px;\">Juliana Miura\u00a0(MTb 4563\/DF)<br \/>\nEmbrapa Cerrados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Juliana Caldas Participantes do Curso de Altos Estudos de Pol\u00edtica e Estrat\u00e9gia (Caepe), da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[739,727],"tags":[11761,687,2584,2585,7738,2229,2314,2082,2285,1314,7538,47,3307,2461,2703,1888,3836,2494,1374,2206,735,4437,4169,8229,3095,885,4082,5330,771,2475,715,406,1430,3788,3340,133,1739,1420,3755,692,8315,3897,2549,3537,1689,39,1388,1536,774,3017,4552,1298,4380,4273,1773,6043,1286,260,1164,3538,3018,4347,1538,4255,2025,849,2010,2942,3567,810,444,3051,3085,3239,2217,4268,1690,32,2605,2810,3322,707,4111,1288,58,1365,6104,1322,5334,8412,1691,664,3444,1366,1274,906,2940,2559,2597,1012,4960,1692,779,2923,341,1812,3439,652,6220,6292,1793,2607,1870,3599,4344,6618,2456,8156,3363,717,1619,3128,4256,1621,460,209,2013,1459,3308,2609,2183,1077,3004,3005,2905,3037,42,4415,152,3207,10333,3294,12885,1542,2177],"class_list":["post-195351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-agropecuaria","category-noticias","tag-11761","tag-687","tag-2584","tag-2585","tag-7738","tag-agua","tag-acao","tag-acordo","tag-agencia","tag-agricultura","tag-agro","tag-alimentos","tag-ambiental","tag-analise","tag-animal","tag-apoio","tag-assim","tag-atividades","tag-aumento","tag-banco","tag-brasil","tag-brasileiro","tag-brasileiros","tag-calor","tag-carbono","tag-comida","tag-complexo","tag-conserva","tag-consumo","tag-conta","tag-cultura","tag-curso","tag-dados","tag-desafio","tag-desenvolvimento","tag-destaque","tag-dia","tag-dinheiro","tag-diretor","tag-diversidade","tag-doencas","tag-e","tag-ecossistemas","tag-efeito-estufa","tag-embrapa","tag-empresas","tag-escola","tag-esg","tag-estrategia","tag-estudos","tag-exame","tag-exterior","tag-fazendas","tag-feira","tag-ferramenta","tag-fevereiro","tag-florestal","tag-forma","tag-futuro","tag-gases","tag-geral","tag-global","tag-governanca","tag-graos","tag-grupo","tag-ibge","tag-impacto","tag-importacao","tag-informacoes","tag-inovacao","tag-inovacoes","tag-insumos","tag-integracao","tag-internacionais","tag-lei","tag-logo","tag-meio-ambiente","tag-mercado","tag-milho","tag-ministerio","tag-mudancas","tag-mundo","tag-naturais","tag-nordeste","tag-noticias","tag-opiniao","tag-outras","tag-pagamento","tag-palestra","tag-palestras","tag-pecuaria","tag-pesquisa","tag-pessoal","tag-pessoas","tag-pib","tag-politica","tag-ponto","tag-populacao","tag-problemas","tag-producao","tag-produtividade","tag-produtores","tag-produtos","tag-programa","tag-programacao","tag-projeto","tag-projetos","tag-proprietarios","tag-qualidade","tag-qualidade-de-vida","tag-receita","tag-recorde","tag-recuperacao","tag-recursos","tag-regioes","tag-relacao","tag-resultados","tag-revitalizacao","tag-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-saude","tag-saudaveis","tag-seca","tag-seguro","tag-servicos","tag-setor","tag-simples","tag-sistema","tag-social","tag-soja","tag-solucoes","tag-solucoes-tecnologicas","tag-sudeste","tag-sul","tag-sustentaveis","tag-taxas","tag-tecnologia","tag-tecnologias","tag-trabalho","tag-trigo","tag-valor","tag-valores","tag-verdeamarelo","tag-visa","tag-vivo","wpcat-739-id","wpcat-727-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}