{"id":60900,"date":"2023-01-26T13:27:48","date_gmt":"2023-01-26T16:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/?p=5630793"},"modified":"2023-01-26T13:27:48","modified_gmt":"2023-01-26T16:27:48","slug":"estudo-associa-sintomas-duradouros-da-covid-19-a-inatividade-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2023\/01\/estudo-associa-sintomas-duradouros-da-covid-19-a-inatividade-fisica\/","title":{"rendered":"Estudo associa sintomas duradouros da COVID-19 \u00e0 inatividade f\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p>O elo entre sintomas da COVID-19 e a inatividade f\u00edsica torna-se cada vez mais evidente. Em estudo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-022-26888-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0recentemente no peri\u00f3dico\u00a0<i>Scientific Reports<\/i>, pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) apontam que pacientes com ao menos um sintoma persistente da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus t\u00eam um risco 57% maior de serem sedent\u00e1rios. Esse n\u00famero cresce para 138% entre aqueles que reportam cinco ou mais \u201csequelas p\u00f3s-agudas do SARS-CoV-2\u201d, como dizem os pesquisadores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cApesar de ser um estudo transversal, os resultados dessa investiga\u00e7\u00e3o destacam a import\u00e2ncia de discutirmos e estimularmos a atividade f\u00edsica tamb\u00e9m durante a pandemia\u201d, afirma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/44661\/hamilton-augusto-roschel-da-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hamilton Roschel<\/a><\/strong>, um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutri\u00e7\u00e3o da USP.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O trabalho, que teve o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/199403\/massa-muscular-e-forca-como-preditores-do-tempo-ate-a-alta-medica-e-mortalidade-de-pacientes-hospita\/?q=2020\/08091-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP, \u00e9 um dos primeiros a avaliar o efeito da atividade f\u00edsica no contexto da COVID longa, quadro usualmente caracterizado pela persist\u00eancia de sintomas por ao menos dois meses \u2013 e que n\u00e3o podem ser explicados por outros problemas que n\u00e3o a infec\u00e7\u00e3o por esse v\u00edrus.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-020-01177-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Relat\u00f3rio de 2020<\/a><\/strong>\u00a0j\u00e1 dava\u00a0conta de que 76% dos pacientes internados por causa do coronav\u00edrus reportaram pelo menos um sintoma persistente seis meses depois da alta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Um estudo transversal<\/b><\/p>\n<p>Os dados analisados foram coletados no \u00e2mbito do\u00a0<i>COVID-19 Study Group<\/i>, que re\u00fane pacientes internados no Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo. Um total de 614 pessoas com idade m\u00e9dia de 56 anos foram inclu\u00eddas na investiga\u00e7\u00e3o, todas com diagn\u00f3stico confirmado por testes laboratoriais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>De seis a 11 meses ap\u00f3s as hospitaliza\u00e7\u00f5es (que ocorreram entre outubro de 2020 e abril de 2021), elas foram examinadas e responderam a diversos question\u00e1rios, que abrangiam a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica, o estilo de vida e a poss\u00edvel presen\u00e7a de dez sintomas ligados \u00e0 COVID-19 \u2013 de falta de ar a problemas de mem\u00f3ria.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A inatividade foi definida seguindo o crit\u00e9rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Ou seja, menos de 150 minutos de atividade f\u00edsica por semana. \u201cNo nosso caso, isso envolvia deslocamentos, pr\u00e1ticas esportivas, tarefas dom\u00e9sticas\u201d, completa Roschel. Os pesquisadores ent\u00e3o cruzaram os dados envolvendo sintomas da COVID-19 com os de inatividade f\u00edsica para chegar aos resultados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Mais sintomas, mais sedentarismo<\/b><\/p>\n<p>Dos pacientes analisados, 60% eram inativos fisicamente \u2013 taxa maior do que os 47% observados no levantamento Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (<strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/publicacoes-svs\/vigitel\/relatorio-vigitel-2020-original.pdf\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vigitel<\/a><\/strong>), feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2020, para brasileiros de faixa et\u00e1ria semelhante.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Eles tamb\u00e9m apresentavam uma alta taxa de comorbidades: 37% eram fumantes, 58% tinham hipertens\u00e3o, 35% foram diagnosticados com diabetes e 17% eram obesos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cEsses s\u00e3o fatores de risco para agravamento da COVID-19. Como todas as pessoas analisadas foram hospitalizadas, era natural que eles aparecessem de forma frequente\u201d, argumenta Roschel. Para ter ideia, 55% necessitaram de cuidados em UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e 37%, de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mesmo fazendo ajustes para evitar que esses e alguns outros fatores interferissem nos resultados, a presen\u00e7a de ao menos um sintoma persistente foi associada a um risco 57% maior de sedentarismo, como mencionado antes. \u201cE, quanto mais sintomas, maior a porcentagem de inatividade f\u00edsica\u201d, complementa Roschel. A presen\u00e7a de cinco ou mais sintomas chegou a elevar o risco de inatividade f\u00edsica em 138%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ele ainda destaca que certas consequ\u00eancias p\u00f3s-agudas da COVID-19 foram especialmente atreladas \u00e0 falta de movimenta\u00e7\u00e3o. Nos modelos estat\u00edsticos ajustados, as que chamaram mais aten\u00e7\u00e3o foram falta de ar (risco 132% maior de a pessoa ser inativa) e fadiga (101%).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cFaz sentido imaginar que indiv\u00edduos com esses quadros sintam maior dificuldade para manter uma rotina ativa\u201d, diz Roschel. \u201cMas tamb\u00e9m \u00e9 plaus\u00edvel imaginar que os participantes inativos estejam mais sujeitos a esses sintomas prolongados ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o. Nosso estudo n\u00e3o permite inferir a causalidade\u201d, pondera.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><b>Associa\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses<\/b><\/p>\n<p>No artigo, os autores escrevem que a inatividade f\u00edsica \u201cpode ser, por si s\u00f3, considerada como um sintoma persistente entre sobreviventes da COVID-19\u201d. A hip\u00f3tese encontra eco em outros trabalhos. Uma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/1660-4601\/18\/11\/6017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a><\/strong>\u00a0neerlandesa \u2013 tamb\u00e9m citada no estudo brasileiro em quest\u00e3o \u2013 com 239 pacientes revelou uma redu\u00e7\u00e3o significativa no tempo dedicado a caminhadas seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio dos primeiros sintomas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Roschel conjectura, ainda, a partir de outros estudos, que o sedentarismo poderia, em tese, aumentar o risco de COVID longa. Uma investiga\u00e7\u00e3o de 2021 assinada por ele, ali\u00e1s, conclui que pessoas com melhor sa\u00fade muscular (a partir da\u00ed, pode-se especular que elas seriam menos sedent\u00e1rias) internadas por causa do SARS-CoV-2 tendem a ficar menos tempo hospitalizadas (<i>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/35625\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/35625\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Adicionalmente, em estudo subsequente, os mesmos pesquisadores observaram que aqueles que perderam mais massa muscular durante o per\u00edodo de hospitaliza\u00e7\u00e3o foram tamb\u00e9m os que apresentaram maiores custos de sa\u00fade e mais sintomas persistentes seis meses ap\u00f3s a alta m\u00e9dica (<i>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/40246\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/40246\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>J\u00e1 uma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bjsm.bmj.com\/content\/55\/19\/1099\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a><\/strong>\u00a0americana examinou o hist\u00f3rico pr\u00e9vio de atividade f\u00edsica de 48.440 indiv\u00edduos infectados posteriormente com o coronav\u00edrus. Resultado: aqueles ativos consistentemente apresentavam menores riscos de interna\u00e7\u00e3o, admiss\u00e3o na UTI e morte.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cO nosso trabalho agrega informa\u00e7\u00f5es ao fazer uma liga\u00e7\u00e3o da inatividade f\u00edsica especificamente com os sintomas persistentes da COVID-19. Estudos futuros devem investigar essa associa\u00e7\u00e3o e entender os motivos por tr\u00e1s dela\u201d, observa Roschel. Cabe destacar que essa liga\u00e7\u00e3o pode se dar em ambas as vias. Ou seja, tanto o sedentarismo favoreceria a COVID longa, como essa incitaria a inatividade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cE, do ponto de vista pr\u00e1tico, fica clara a necessidade de valorizarmos a atividade f\u00edsica durante a pandemia\u201d, reitera Roschel. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que pacientes que j\u00e1 foram infectados devem tomar certas precau\u00e7\u00f5es adicionais com os exerc\u00edcios \u2013 um m\u00e9dico \u00e9 capaz de analisar cada caso. Por\u00e9m, a atividade f\u00edsica precisa ser estimulada como uma medida de sa\u00fade p\u00fablica, de acordo com Roschel. O sedentarismo \u00e9 respons\u00e1vel por 9% das mortes por todas as causas no mundo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O estudo\u00a0<i>Post-acute sequelae of SARS-CoV-2 associates with physical inactivity in a cohort of COVID-19 survivors<\/i>\u00a0est\u00e1 dispon\u00edvel em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-022-26888-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.nature.com\/articles\/s41598-022-26888-3<\/a><\/strong>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><!-- Este texto tem o apoio do Sistema ECOMPARE de lojas virtuais <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/noticias-coronavirus\/estudo-associa-sintomas-duradouros-da-covid-19-a-inatividade-fisica\/\">Estudo associa sintomas duradouros da COVID-19 \u00e0 inatividade f\u00edsica<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\">Governo do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O elo entre sintomas da COVID-19 e a inatividade f\u00edsica torna-se cada vez mais evidente&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[7488,7744,727],"tags":[7760,7918,792,807,1206,7919,219,8058,7981,8059,1619,8060,7938,7758,7983],"class_list":["post-60900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-imprensa","category-noticias","tag-ultimas-noticias","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-estudo","tag-fapesp","tag-gestao","tag-noticias-coronavirus","tag-pesquisa-e-desenvolvimento-em-saude","tag-pesquisa-em-fisiologia-aplicada-e-nutricao-da-usp","tag-saude","tag-scientific-reports","tag-secretaria-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao","tag-sp-noticias","tag-universidade-de-sao-paulo","wpcat-7488-id","wpcat-7744-id","wpcat-727-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}