{"id":61812,"date":"2023-03-07T12:44:10","date_gmt":"2023-03-07T15:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/embrapii.org.br\/?p=14948"},"modified":"2023-03-07T12:44:10","modified_gmt":"2023-03-07T15:44:10","slug":"mulheres-na-ciencia-digitall-pela-equidade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2023\/03\/mulheres-na-ciencia-digitall-pela-equidade-de-genero\/","title":{"rendered":"Mulheres na ci\u00eancia: digitALL pela equidade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Cinco hist\u00f3rias de pesquisadoras comprovam que a diversidade acelera a inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"has-normal-font-size\"><em>Conhe\u00e7a algumas das mulheres que se destacam em \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, biotecnologia, rob\u00f3tica e Intelig\u00eancia Artificial nas Unidades Embrapii<\/em><\/p>\n<p>As \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o, tradicionalmente, dominadas por homens. Mas esse \u00e9 um cen\u00e1rio em transforma\u00e7\u00e3o. Mulheres l\u00edderes de grandes centros de pesquisa nacionais provam que n\u00e3o h\u00e1 barreiras para o sucesso. A Embrapii (Empresa Brasileira de Apoio \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o Industrial) reuniu hist\u00f3rias de cinco pesquisadoras que possuem enredos muito diferentes e uma enorme semelhan\u00e7a: s\u00e3o exemplos dos avan\u00e7os pela igualdade de g\u00eanero na \u00e1rea da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As pesquisadoras Ligia Mara Gonzaga, Silvia Botelho, Patr\u00edcia Toledo, Gabriele Celis e Maria Ligia Macedo trabalham em Unidades Embrapii, centros de pesquisa de excel\u00eancia espalhados por todo pa\u00eds que desenvolvem solu\u00e7\u00f5es em inova\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria nacional. Elas atuam na lideran\u00e7a e\/ou desenvolvimento de projetos em \u00e1reas como engenharia de minas e mec\u00e2nica, rob\u00f3tica, intelig\u00eancia artificial, processamento de biomassa, materiais avan\u00e7ados e biotecnologia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Confira abaixo os perfis e saiba quem s\u00e3o algumas das mulheres que promovem a inova\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><a><strong>Despertar para ci\u00eancia<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A jovem Gabriele Celis come\u00e7ou a trilhar sua carreira cient\u00edfica antes mesmo de ingressar na faculdade.&nbsp; Curiosa por natureza, ela buscava uma carreira em que a criatividade fosse valorizada e escolheu a biomedicina, focada em atuar em pesquisa. J\u00e1 s\u00e3o cinco anos de estudo desde que ingressou na faculdade, em 2017. Hoje, aos 24 anos, Gabrielle atua em projetos de inova\u00e7\u00e3o na Unidade Embrapii Cqmed e faz mestrado em gen\u00e9tica e biologia molecular, estudando os efeitos do uso de associa\u00e7\u00f5es medicamentosas para o tratamento de leucemia. Uma trajet\u00f3ria de sucesso para a filha de trabalhadores rurais, que nasceu em uma pequena cidade de 15 mil habitantes no interior paulista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O acesso ao ensino superior ocorreu com bolsa integral via ProUni.&nbsp; A faculdade, por\u00e9m, ficava em outro munic\u00edpio e, como n\u00e3o era vi\u00e1vel se manter naquela cidade, a jovem percorreria 140km di\u00e1rios para estudar, nos \u00f4nibus oferecidos pela prefeitura. Durante a gradua\u00e7\u00e3o, foi estagi\u00e1ria da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), no Laborat\u00f3rio de Fisiologia Experimental. L\u00e1, teve seu primeiro contato pr\u00e1tico com a pesquisa, desempenhando atividades relacionadas \u00e0 pesquisa pr\u00e9-cl\u00ednica <em>in vivo<\/em> sobre o transtorno do espectro autista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A passagem pelo laborat\u00f3rio confirmou o interesse pela pesquisa e a despertou para doc\u00eancia.&nbsp; Logo ap\u00f3s a formatura, vislumbrou a oportunidade de atuar como t\u00e9cnica laboratorial no Centro de Qu\u00edmica Medicinal (Cqmed\/Unicamp), como a porta de entrada para atuar na Academia. Ap\u00f3s um ano, foi aprovada no mestrado da mesma institui\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u201cEu n\u00e3o queria trabalhar na rotina hospitalar. Depois do Laborat\u00f3rio da faculdade de medicina, passei a querer dar aula, produzir e transmitir conhecimento, de ter troca com alunos\u201d, destaca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><a>Pela Embrapii, participou do desenvolvimento de uma tecnologia capaz de realizar exames laboratoriais remotos para a detec\u00e7\u00e3o de agentes virais de doen\u00e7as infecciosas, como coronav\u00edrus, dengue, zika e chikungunya. A solu\u00e7\u00e3o combina exames de detec\u00e7\u00e3o de RNA viral e intelig\u00eancia artificial, que conferem mais precis\u00e3o e rapidez aos diagn\u00f3sticos.<\/a><\/p>\n<p>Apesar do interesse em continuar sua forma\u00e7\u00e3o e seguir no doutorado, a experi\u00eancia em atuar com a ind\u00fastria ampliou os horizontes da pesquisadora para oportunidades que desconhecia existir no pa\u00eds: trabalhar com ci\u00eancia na iniciativa privada. \u201cAqui, no Cqmed, com a Embrapii, abriu-se um leque de possibilidades. H\u00e1 um mercado pr\u00f3spero com as biotechs e vi v\u00e1rios colegas migrando de carreira, saindo da Universidade e indo trabalhar na ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, comenta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Minerando mulheres<\/strong><\/p>\n<p><a>Aos 38 anos de idade, a pesquisadora paraibana Ligia Mara Gonzaga \u00e9 doutora em Engenharia de Processos pela <\/a><a>Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) <\/a>e diretora executiva do Centro de Refer\u00eancia em Tecnologia Mineral (CRTM), do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Norte (IFRN), unidade credenciada pela Embrapii na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o. Para chegar \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a em um setor majoritariamente dominado por homens, a engenheira de minas enfrentou as mais diversas dificuldades que, juntas, foram respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o de uma trajet\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o e sucesso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ligia nasceu no sert\u00e3o da Para\u00edba, na cidade de Sousa. Quando crian\u00e7a, morava em uma casa de barro e vendia balas com a m\u00e3e no terminal rodovi\u00e1rio da cidade, onde o pai tamb\u00e9m trabalhava na limpeza. Na juventude, foi gar\u00e7onete e vendia \u00e1gua mineral na porta dos \u00f4nibus. A forma\u00e7\u00e3o da pesquisadora se deu inteiramente na rede p\u00fablica. Cursou Engenharia de Minas, em uma classe com apenas tr\u00eas mulheres. No dia da formatura, foi diagnosticada com s\u00edndrome dismielizante, condi\u00e7\u00e3o que paralisou todo lado esquerdo de seu corpo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ainda em tratamento, Ligia se inscreveu para o mestrado na COPPE no Rio de Janeiro e passou. \u201cFoi um per\u00edodo dif\u00edcil porque tinha de viver numa cidade grande com bolsa de R$ 1,5 mil. Chegava no meio do m\u00eas eu s\u00f3 tinha R$ 10\u201d, lembra. Entre 2014 e 2016, trabalhou no Centro de Tecnologia Mineral (CETEM\/RJ). Em seguida, foi aprovada no IFRN e come\u00e7ou a dar aulas em cursos t\u00e9cnicos de minera\u00e7\u00e3o. Hoje, ela \u00e9 diretora-executiva do Centro de Refer\u00eancia em Tecnologia Mineral (CRTM) do IRFN. J\u00e1 a partir de 2017, a equipe da PROPI (Pr\u00f3-Reitoria de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do IFRN) iniciou as tentativas para credenciar o CRTM junto \u00e0 Embrapii. \u201cN\u00e3o foi f\u00e1cil porque \u00e9 um processo muito rigoroso, eu digo que passamos por tr\u00eas Copas do Mundo, at\u00e9 que, no fim de 2022, conseguimos o credenciamento e nos tornamos uma Unidade Embrapii\u201d, destaca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O pr\u00f3ximo passo na carreira de Ligia \u00e9 o projeto \u201cMinerando Mulheres\u201d. Ainda em fase inicial de concep\u00e7\u00e3o, o programa ser\u00e1 desenvolvido dentro da unidade e aplicado na regi\u00e3o de Currais Novos, cidade do interior do Rio Grande do Norte. A ideia \u00e9 levar palestras e atividades educativas para mulheres da localidade, al\u00e9m de capacita\u00e7\u00e3o em artesanato. <a>\u201cQueremos levar oportunidades a outras mulheres tamb\u00e9m, para que possam criar suas pr\u00f3prias trajet\u00f3rias de sucesso\u201d<\/a>, conclui Ligia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Pioneira em rob\u00f3tica e IA<\/strong><\/p>\n<p>Silvia Botelho, 53 anos, \u00e9 uma das mulheres de destaque na \u00e1rea de rob\u00f3tica e Intelig\u00eancia Artificial (IA) no Brasil. Diretora do Centro de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico de Ci\u00eancia de Dados, Rob\u00f3tica e Automa\u00e7\u00e3o (iTec), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), umas das unidades credenciadas pela Embrapii, e diretora de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Sociedade Brasileira de Autom\u00e1tica, Botelho, trabalha com tecnologias de fronteira. Atuou no desenvolvimento de mais de uma centena de produtos e processos, envolvendo plataformas robotizadas e sistemas inteligentes para o setor produtivo. Sua hist\u00f3ria e desafios enfrentados para se consolidar na \u00e1rea inspira uma gama de estudantes e pesquisadoras a atuarem na \u00e1rea de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A pesquisadora nasceu em uma regi\u00e3o com baix\u00edssimo IDH, no munic\u00edpio de Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul. Desde nova, decidiu pela transforma\u00e7\u00e3o daquela realidade pelo conhecimento, com o compromisso de tamb\u00e9m promover o desenvolvimento regional. Para isso, iniciou uma estrada desafiadora a partir da profiss\u00e3o que escolheu: engenharia el\u00e9trica. Silvia Botelho foi a \u00fanica mulher entre os 98 formandos do curso pela UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), em 1992. O feito se repetiu: foi a <a>\u00fanica mulher brasileira na Fran\u00e7a a doutorar em rob\u00f3tica e IA, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000.<\/a><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a pesquisadora entendeu que o maior enfrentamento seria provar a sua capacidade t\u00e9cnica. <a>\u201cO menor quantitativo de mulheres no meio, dificulta a percep\u00e7\u00e3o de que a diversidade de g\u00eanero pode ser totalmente positiva para o melhor desempenho profissional. Isto gera um preconceito que deve ser vencido logo de in\u00edcio, quando a mulher inicia sua atua\u00e7\u00e3o naquele ambiente\u201d,<\/a> comenta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Silvia coordenou propostas para a recente Lei de Inova\u00e7\u00e3o, incluindo conceitos inovadores, como <em>sandbox<\/em> para contrata\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, transfer\u00eancia de conhecimento e tecnologias. Ano passado, a pesquisadora ganhou o pr\u00eamio Inventor, concedido pela Petrobr\u00e1s, por produzir tecnologias disruptivas que est\u00e3o sendo aplicadas a diferentes situa\u00e7\u00f5es, como por exemplo, a inspe\u00e7\u00e3o de tubula\u00e7\u00f5es de energia nos est\u00e1dios da Copa do Mundo; a soldagem robotizada de pain\u00e9is met\u00e1licos para estruturas <em>offshore<\/em>; o roteamento de distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica com c\u00e9lulas ativas de ligamento e desligamento; e a transforma\u00e7\u00e3o digital de <em>databooks<\/em>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al\u00e9m disso, a sua participa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de tecnologias para o mar habilitou Silvia a ser a representante brasileira do setor mar\u00edtimo portu\u00e1rio na International Maritime Organization (IMO) para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internacionais para navega\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Contudo, comparando a realidade de quando Botelho iniciou sua jornada com a atual, houve avan\u00e7os importantes que d\u00e3o \u00e0s mulheres mais oportunidades de atua\u00e7\u00e3o em inova\u00e7\u00e3o, seja em empresas ou centros de pesquisa. <a>\u201cA presen\u00e7a de um maior quantitativo de mulheres na \u00e1rea, devido \u00e0s pol\u00edticas de inclus\u00e3o de g\u00eanero permitiu, nestes \u00faltimos anos, uma maior aceita\u00e7\u00e3o das mulheres. Hoje temos mais mulheres ingressando nas carreiras e, ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica (STEMS, sigla em ingl\u00eas), mais mulheres em cargos de dire\u00e7\u00e3o e chefia, e por a\u00ed vai<\/a>\u201d, conclui Silvia Botelho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>&nbsp;Paradigmas quebrados<\/strong><\/p>\n<p>Patr\u00edcia Toledo \u00e9 pesquisadora e coordenadora da Unidade Embrapii Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Especialista em Inova\u00e7\u00e3o, ela faz todo o gerenciamento dos projetos da Unidade, que atua nas \u00e1reas de Biotecnologia Industrial, Biotecnologia aplicada \u00e0 Sa\u00fade, Processamento de Biomassa e Materiais Avan\u00e7ados. Quando cursou a Faculdade de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o de Materiais na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), havia apenas tr\u00eas mulheres em uma turma de mais de 50 alunos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cA ci\u00eancia em si ainda \u00e9 um meio com muita presen\u00e7a masculina. \u00c9 um desafio, mas, particularmente, nunca vi como barreira para meu crescimento. Pelo contr\u00e1rio, sempre fui movida pelo desejo de superar desafios. Acho que o meu exemplo, como de outras tantas mulheres l\u00edderes que trabalham no CNPEM e do meu time que \u00e9 majoritariamente feminino, pode inspirar jovens mulheres que tamb\u00e9m desejam atuar na \u00e1rea da ci\u00eancia e tecnologia\u201d, destaca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Patr\u00edcia Toledo cursou mestrado em Engenharia Mec\u00e2nica, \u00e9 especialista em Six Sigma Black Belt, MBA em Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica de Neg\u00f3cios, e \u00e9 doutora em Pol\u00edtica Cientifica e Tecnol\u00f3gica, todos os t\u00edtulos pela Unicamp. Iniciou a trajet\u00f3ria profissional trabalhando na ind\u00fastria automotiva. Em seguida, atuou na Ag\u00eancia de Inova\u00e7\u00e3o da Unicamp, onde foi uma das respons\u00e1veis pelo seu desenvolvimento e uma das primeiras diretoras, e liderou projetos de transfer\u00eancia de tecnologias, parcerias internacionais e o engajamento com o mercado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Patr\u00edcia \u00e9 tamb\u00e9m coordenadora do comit\u00ea de Bioeconomia Industrial da Rede Embrapii\/MCTI de Bioeconomia. Carioca e com atua\u00e7\u00e3o profissional na cidade de Campinas (SP), ela encoraja outras mulheres a correrem atr\u00e1s de seus sonhos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>\u201cH\u00e1 um movimento global em defesa da import\u00e2ncia de um ambiente diverso e no qual as diferentes opini\u00f5es s\u00e3o cada vez mais valorizadas. Eu trabalho com inova\u00e7\u00e3o e, quando a gente fala nela, falamos em relacionamentos, multidisciplinaridade e quebra de paradigmas, e nada melhor do que a diversidade para gerar esses resultados. Todos os dias eu sou desafiada a ser e pensar diferente. Isso supera qualquer barreira que eu possa ter enfrentado para viver essa experi\u00eancia\u201d, ressalta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o que transforma<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o transforma vidas, realiza sonhos e amplia os horizontes. Foi seguindo esse pensamento que Tamires Pereira Alves superou os desafios e come\u00e7ou a trilhar sua trajet\u00f3ria profissional ainda na adolesc\u00eancia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Aos 16 anos, com aspira\u00e7\u00f5es de um futuro promissor e sem grandes certezas de qual caminho seguir, passou pelo processo seletivo do curso t\u00e9cnico de mec\u00e2nica no Instituto Federal da Bahia (IFBA).&nbsp; A proposta era ter uma forma\u00e7\u00e3o profissional que garantisse um emprego imediato e qualificado na ind\u00fastria.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha ningu\u00e9m da minha fam\u00edlia que trabalhasse na \u00e1rea. Minha m\u00e3e era dona de casa e meu pai comerci\u00e1rio, mas eu gostava de ferramentas e a profiss\u00e3o era valorizada no mercado. No decorrer do tempo, me apaixonei pela \u00e1rea e queria conhecer cada vez mais\u201d, destaca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Foi assim que decidiu cursar engenharia el\u00e9trica. O ambiente sempre foi majoritariamente masculino &#8211; das 30 pessoas da turma, apenas eram tr\u00eas mulheres, na faculdade.&nbsp; \u201cPassei a ter muito mais consci\u00eancia de g\u00eanero j\u00e1 no curso t\u00e9cnico e se ampliou na gradua\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o extremamente desafiadora. \u00c9 ter, em alguns momentos, a sua capacidade e compet\u00eancia colocados em d\u00favida apenas por ser mulher\u201d, enfatiza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Inova\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; Tamires engravidou na gradua\u00e7\u00e3o e, junto com os desafios da maternidade, um novo horizonte profissional se abriu. Ela ingressou na equipe de estudantes bolsistas da Unidade Embrapii IFBA e entrou em contato com a \u00e1rea de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u201cCostumo falar que a minha vida acad\u00eamica \u00e9 dividida em dois momentos: antes e depois de entrar no Polo de Inova\u00e7\u00e3o Salvador e participar do projeto Embrapii. Foi um processo de muito aprendizado e, com toda certeza me fez uma profissional melhor.&nbsp; Tive uma vis\u00e3o muito maior e mais completa do que poderia fazer na profiss\u00e3o\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ela atuou em dois projetos em parceria com a ind\u00fastria. Durante a pandemia de covid-19, participou do desenvolvimento de uma torre de esteriliza\u00e7\u00e3o ultravioleta compartimentalizada, que permite a higieniza\u00e7\u00e3o de objetos em larga escala e a elimina\u00e7\u00e3o inclusive do coronav\u00edrus da superf\u00edcie.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Foi tamb\u00e9m umas das respons\u00e1veis pelo Simulador de Paciente para Estudo de Patologias Card\u00edacas, tecnologia que vai apoiar o ensino de alunos de Medicina.&nbsp; \u201cTenho muito orgulho de estar nesse projeto. Ele foi um dos vencedores do Conif (Conselho Nacional das Institui\u00e7\u00f5es da Rede Federal de Educa\u00e7\u00e3o Profissional, Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica) e sua classifica\u00e7\u00e3o me proporcionou uma viagem \u00e0 Austr\u00e1lia, onde eu tive a chance de representar o nosso pa\u00eds. Esse tipo de experi\u00eancia \u00e9 uma coisa que nunca ningu\u00e9m vai poder tirar de mim. \u00c9 por isso que gosto tanto do conhecimento\u201d, destacou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al\u00e9m do mestrado, ela atua tamb\u00e9m como pesquisadora no polo de Cama\u00e7ari da Ford. Para o futuro, sonha em continuar sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e viver da pesquisa. \u201cTenho esperan\u00e7a de que a cultura de inova\u00e7\u00e3o chegue com for\u00e7a e que os profissionais com qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e experi\u00eancia em PD&amp;I possam ser valorizados como um profissional de gest\u00e3o\u201d, finaliza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Os desafios das conquistas femininas<\/strong><\/p>\n<p>Pr\u00f3-reitora de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Maria Ligia Macedo \u00e9 a atual diretora da Unidade Embrapii Agrotech \u2013 Bioeconomia no Agroneg\u00f3cio. Com 30 anos de atua\u00e7\u00e3o no campus de Tr\u00eas Lagoa da UFMS, a pesquisadora bolsista de produtividade (PQ1C) do <a>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/a>, come\u00e7ou na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ainda durante a gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, na Universidade Federal do Cear\u00e1, e nunca mais parou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Seguiu no mestrado buscando explicar o porqu\u00ea de determinadas plantas serem resistentes \u00e0 insetos e outras n\u00e3o. Manteve a linha durante o doutorado, pesquisando biomol\u00e9culas ativas com potencial biotecnol\u00f3gico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><a>Obteve reconhecimentos cient\u00edficos e acad\u00eamicos, como pr\u00eamios Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) de Inova\u00e7\u00e3o, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia), de Inova\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Farm\u00e1cia, melhor tese do ano da Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior).<\/a><\/p>\n<p>Em uma r\u00e1pida entrevista, a veterana na \u00e1rea de pesquisa cient\u00edfica, fala com propriedade sobre os desafios das conquistas femininas. Confira.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia de uma mulher estar \u00e0 frente de um cargo de gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio fazer um hist\u00f3rico da Ci\u00eancia no mundo at\u00e9 chegar \u00e0 atualidade para conseguir reconhecer a import\u00e2ncia de ter hoje mulheres, pesquisadoras, cientistas, empres\u00e1rias, inovadoras em cargos de gest\u00e3o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se olharmos algumas dezenas de anos atr\u00e1s, vamos encontrar projetos de mulheres assinados pelos maridos e colegas masculinos. Pesquisadoras que apareciam como coadjuvante, mas eram elas as pr\u00f3prias agentes. Era um tempo em que as mulheres ficavam escondidas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mas a ci\u00eancia evolui e essas mudan\u00e7as s\u00e3o acompanhadas pela sociedade. A nossa universidade \u00e9 parceira das mulheres, porque abre espa\u00e7o para que sejamos gestoras. Temos uma vice-reitora, quatro pr\u00f3-reitoras e v\u00e1rias diretoras.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Qual a relev\u00e2ncia de dirigir uma Unidade Embrapii?<\/strong><\/p>\n<p>A gest\u00e3o \u00e9 muito representativa para mim e para UFMS, pois sou a primeira mulher a gerir uma Unidade Embrapii no Mato Grosso do Sul. A equipe administrativa da Agrotec-UFMS \u00e9 composta por cinco mulheres, o que representa 80% da equipe. Dos dez projetos de inova\u00e7\u00e3o contratados aqui, oito t\u00eam mulheres coordenando a pesquisa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enxergo a Embrapii como parceira das mulheres, por buscar talentos e capacidade, independentemente de g\u00eanero. \u00c9 motivo de muito orgulho ser uma das gestoras que est\u00e3o \u00e0 frente de uma Unidade Embrapii, junto com outras institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa que tamb\u00e9m t\u00eam mulheres em cargos de gest\u00e3o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Acreditamos que a nossa Unidade seja um marco nessa mudan\u00e7a e colabora para trazer mais equidade entre homens e mulheres. Cabe a n\u00f3s ajudar esse processo acontecer.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia da Unidade Embrapii para voc\u00ea hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Quem investe em ci\u00eancia, em inova\u00e7\u00e3o, em tecnologia e em empregador, investe no desenvolvimento e crescimento do pa\u00eds. Para mim, \u00e9 o que a Embrapii vem fazendo com brilhantismo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um projeto Embrapii \u00e9 capaz de reunir v\u00e1rios setores da sociedade em um mesmo objetivo, sendo um deles a inova\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel que atenda os anseios da sociedade. Com a nossa Unidade, geramos bioeconomia dentro de uma cultura sustent\u00e1vel, buscando a partir do nosso Cerrado e Pantanal gerar processos e produtos em toda extens\u00e3o da sua cadeia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><!-- Este texto tem o apoio do Sistema ECOMPARE de lojas virtuais <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/embrapii.org.br\/mulheres-na-ciencia-digitall-equidade-genero\/\">Mulheres na ci\u00eancia: digitALL pela equidade de g\u00eanero<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/embrapii.org.br\">Embrapii<\/a>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><a href=\"https:\/\/embrapii.org.br\/mulheres-na-ciencia-digitall-equidade-genero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Saiba mais: https:\/\/embrapii.org.br\/mulheres-na-ciencia-digitall-equidade-genero\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco hist\u00f3rias de pesquisadoras comprovam que a diversidade acelera a inova\u00e7\u00e3o Conhe\u00e7a algumas das mulheres&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[814,727],"tags":[3018,58],"class_list":["post-61812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-industria","category-noticias","tag-geral","tag-noticias","wpcat-814-id","wpcat-727-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61812\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}