{"id":71554,"date":"2013-03-26T13:39:05","date_gmt":"2013-03-26T16:39:05","guid":{"rendered":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2013\/03\/uma-breve-historia-do-primeiro-caminhao-mercedes-benz-atego\/"},"modified":"2013-03-26T13:39:05","modified_gmt":"2013-03-26T16:39:05","slug":"uma-breve-historia-do-primeiro-caminhao-mercedes-benz-atego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2013\/03\/uma-breve-historia-do-primeiro-caminhao-mercedes-benz-atego\/","title":{"rendered":"&#8220;Uma breve hist\u00f3ria do primeiro caminh\u00e3o Mercedes-Benz Atego&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Um dos antepassados do Mercedes-Benz Atego foi o \u201cDaimler 4 hp\u201d de 1899. Trata-se da terceira vers\u00e3o do primeiro caminh\u00e3o do mundo, que nasceu em 1896. A primeira igni\u00e7\u00e3o \u2013 ainda com gasolina, que na \u00e9poca era comprada na farm\u00e1cia \u2013 tinha ocorrido somente tr\u00eas anos antes, em Bad Cannstatt, onde Gottlieb Daimler construiu, h\u00e1 117 anos, o seu ve\u00edculo motorizado para o neg\u00f3cio de transporte.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><!--more-->Em 1909, a gasolina ainda estava dispon\u00edvel somente nas farm\u00e1cias, e tamb\u00e9m em lojas de bicicletas e estalagens. O primeiro caminh\u00e3o motorizado parecia uma carro\u00e7a puxada por cavalos, sem barra de tra\u00e7\u00e3o. Seu motor com deslocamento de um litro ficava na extremidade posterior e acionava as rodas traseiras por meio de um pinh\u00e3o. Ele tinha dois cilindros, fundidos em um bloco. Esse design correspondia ao do motor Phoenix, que tamb\u00e9m movia o carro motorizado de passageiros de Daimler. Foi a\u00ed que seu parceiro Wilhelm Maybach demonstrou \u00e0 posteridade como s\u00e3o feitos os motores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Uma \u00e1rvore transversal ao eixo longitudinal do ve\u00edculo era acionada por uma transmiss\u00e3o por correia. Havia pinh\u00f5es em ambos os lados da \u00e1rvore e cada um deles engatava nos dentes internos do aro da engrenagem, que era firmemente presa \u00e0 roda a ser acionada. Essa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era nada menos do que vision\u00e1ria e seu princ\u00edpio t\u00e9cnico \u00e9 visto como predecessor do eixo de planet\u00e1rias, lan\u00e7ado d\u00e9cadas depois.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esses eixos desempenham um papel importante nos ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o em todas as rodas, para canteiros de obras, e hoje s\u00e3o fabricados na planta da Mercedes-Benz em Gaggenau, na Alemanha. Seu princ\u00edpio \u00e9 fazer com que o torque m\u00e1ximo ocorra no ponto em que o sistema de tra\u00e7\u00e3o atua, t\u00e3o pr\u00f3ximo quanto poss\u00edvel do local de aplica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a \u2013 o que significa o ponto no qual a for\u00e7a \u00e9 transferida da roda para a superf\u00edcie da via.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nos registros de produ\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica da Daimler-Motorengesellschaft em Cannstatt, datados de 1\u00ba de outubro de 1896, lia-se: \u201cPedido de caminh\u00e3o motorizado n\u00ba 81, ve\u00edculo n\u00ba 42, motor de dois cilindros e 4 hp, peso do ve\u00edculo completo 1.200 kg para o transporte de 1.500 kg, faturado para a empresa British Motor Syndicate Ltd., de Londres\u201d. Este foi o primeiro caminh\u00e3o do mundo movido por um motor de combust\u00e3o para uso comercial. O caminh\u00e3o foi encomendado em 19 de fevereiro de 1896.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O motor na extremidade traseira foi considerado um obst\u00e1culo<\/p>\n<p>Pode ser que o ve\u00edculo n\u00e3o fosse do gosto da pr\u00f3pria dupla Daimler e Maybach, pois naquele mesmo ano eles constru\u00edram um outro caminh\u00e3o motorizado. O motor fixado na extremidade traseira do primeiro modelo era um obst\u00e1culo, especialmente quando se queria fazer o carregamento pela parte de tr\u00e1s. Assim, na segunda gera\u00e7\u00e3o, ele foi montado no chassi do ve\u00edculo, abaixo do banco do motorista. Um ano depois, foi posicionado na extremidade da frente do caminh\u00e3o, acima do eixo dianteiro \u2013 essa arquitetura mant\u00e9m-se v\u00e1lida at\u00e9 hoje.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O \u201cDaimler 4 hp\u201d de 1899 \u00e9 um representante dessa categoria. De acordo com uma anota\u00e7\u00e3o feita no livro de registros, em 12 de abril de 1899, ele foi enviado ao Departamento Municipal de \u00c1guas de Stuttgart. De acordo com uma descri\u00e7\u00e3o, o caminh\u00e3o Daimler estava dispon\u00edvel com um \u201cmotor de 2 ou 4 cilindros&#8221; e tamb\u00e9m com \u201cigni\u00e7\u00e3o el\u00e9trica\u201d. A \u201cigni\u00e7\u00e3o por tubo aquecido\u201d, comum naquela \u00e9poca e que utilizava lascas de madeira, tinha um efeito colateral frequente: \u201ccaras sujas\u201d, escurecendo a vis\u00e3o. Estas &#8220;vans&#8221; de entregas, como eram chamadas, tinham pot\u00eancia de 4, 6, 8 ou 10 hp. As capacidades de carga variavam entre 1.500; 2.000; 3.750 e 5.000 kg, e as rodas tinham pneus de ferro. Pode-se imaginar o barulho que isso fazia nos paralelep\u00edpedos, superf\u00edcie t\u00edpica das ruas naquele tempo. <\/p>\n<p>\u201cO primeiro caminh\u00e3o era equipado com correia de acionamento nas rodas traseiras, mas isso n\u00e3o funcionava quando se estava transportando cargas pesadas\u201d, lembrou o chefe de oficina Hugo Rettich em 1950, que entrou na Daimler em 1896. \u201cEles ent\u00e3o reposicionaram a correia acionadora na frente\u201d, disse Rettich. \u201cPara os modelos de cinco toneladas foi instalado o motor Phoenix de 10 hp e dois cilindros, com igni\u00e7\u00e3o por tubo aquecido, e as rodas traseiras eram acionadas por correia plana e pinh\u00e3o&#8221;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Deixar os clientes testarem j\u00e1 era uma m\u00e1xima da Daimler naquela \u00e9poca<\/p>\n<p>Gottlieb Daimler j\u00e1 tinha percebido como \u00e9 valioso deixar os clientes experimentarem os produtos. \u201cEsse ve\u00edculo foi testado durante 13 semanas em uma f\u00e1brica de tijolos de Heidelsheim, perto de Bruchsal, no sul da Alemanha. Os defeitos que ocorreram foram imediatamente corrigidos e o caminh\u00e3o ficou ainda mais potente\u201d. Isso n\u00e3o impressionou o Imperador Guilherme II: \u201cO carro n\u00e3o tem futuro. Estou confiando nos cavalos\u201d, declarou ele em 1904. Gottlieb Daimler, por outro lado, prometia j\u00e1 naquela \u00e9poca: \u201cVoc\u00ea pode confiar nos meus caminh\u00f5es\u201d. Hoje o lema oficial da Daimler em todo o mundo \u00e9 \u201cTrucks you can trust\u201d, que em Portugu\u00eas significa: \u201ccaminh\u00f5es nos quais voc\u00ea pode confiar\u201d.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O \u201cDaimler 4 hp\u201d desempenhou servi\u00e7os de muito valor para o Departamento Municipal de \u00c1guas de Stuttgart, de 1899 a 1923. Os caminh\u00f5es foram se tornando mais potentes e diversificados. Houve um consider\u00e1vel avan\u00e7o de desenvolvimento, especialmente ap\u00f3s o Imperador Guilherme e seu Ministro da Guerra terem expressado, afinal, interesse nos caminh\u00f5es motorizados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos antepassados do Mercedes-Benz Atego foi o \u201cDaimler 4 hp\u201d de 1899. 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