{"id":75103,"date":"2019-06-26T23:04:45","date_gmt":"2019-06-27T02:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo\/"},"modified":"2019-06-26T23:04:45","modified_gmt":"2019-06-27T02:04:45","slug":"criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verde-amarelo.net\/verdeamarelo\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo\/","title":{"rendered":"\u201cCria\u00e7\u00e3o na fotografia \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do real em algo que diz respeito ao interior do fot\u00f3grafo\u201d"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/ywAAAAAAQABAAACAUwAOw==\" fifu-lazy=\"1\" fifu-data-sizes=\"auto\" fifu-data-srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=75&resize=75&ssl=1 75w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=100&resize=100&ssl=1 100w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=150&resize=150&ssl=1 150w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=240&resize=240&ssl=1 240w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=320&resize=320&ssl=1 320w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=500&resize=500&ssl=1 500w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=640&resize=640&ssl=1 640w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=800&resize=800&ssl=1 800w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=1024&resize=1024&ssl=1 1024w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=1280&resize=1280&ssl=1 1280w, https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1&w=1600&resize=1600&ssl=1 1600w\" fifu-data-src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.truckbrasil.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/criacao-na-fotografia-e-a-transformacao-do-real-em-algo-que-diz-respeito-ao-interior-do-fotografo.jpg?ssl=1\" class=\"ff-og-image-inserted\"\/><\/div>\n<p class=\"m_5545526164704259905m_3017847574964508734gmail-p3\">Que legado deixamos para a posteridade no decorrer de nossas vidas? Quais mem\u00f3rias e sentimentos evocamos nas pessoas atravessadas e influenciadas pelo conjunto do nosso trabalho? A <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fotografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fotografia<\/a> \u00e9, e provavelmente sempre ser\u00e1, uma das mais importantes ferramentas de documenta\u00e7\u00e3o do tempo presente, um registro hist\u00f3rico fundamental para entendermos o passado que projeta seus tent\u00e1culos sobre o contempor\u00e2neo. Nesse sentido, a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica individual pode ser vista a partir de uma linha do tempo na qual alguns eventos representam momentos decisivos de ruptura ou transforma\u00e7\u00f5es profundas na trajet\u00f3ria do(a) autor(a). <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gustavominas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Minas<\/a> \u00e9, h\u00e1 alguns anos, uma das principais refer\u00eancias da fotografia de rua no Brasil e acaba de lan\u00e7ar, no \u00faltimo dia 23 de maio, seu primeiro livro: <a href=\"https:\/\/edition.lammerhuber.at\/en\/books\/maximum-shadow-minimal-light\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Maximum Shadow, Minimal Light<\/em><\/a>, na galeria Freelen\u2019s em Hamburgo, Alemanha. A publica\u00e7\u00e3o deve figurar entre os melhores livros nacionais de fotografia da d\u00e9cada e re\u00fane um conjunto de poderosa excel\u00eancia fotogr\u00e1fica sobre a vida do cidad\u00e3o comum nos centros urbanos brasileiros. Editado pelo tamb\u00e9m fot\u00f3grafo Lo\u00efs Lammerhuber, que teve passagens pelo Brasil, o livro apresenta uma narrativa fragmentada na qual cada imagem revela um universo singular surpreendente que nos fornece preciosas pistas a cerca da forma\u00e7\u00e3o da identidade urbana brasileira atual.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<section class=\"sumario_apoyos derecha\" id=\"sumario_3|apoyos\"> <\/section>\n<p class=\"m_5545526164704259905m_3017847574964508734gmail-p3\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/26\/album\/1561502741_390322.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os fotogramas de Gustavo<\/a> s\u00e3o dotados de composi\u00e7\u00f5es sofisticadas, com alto grau de complexidade, que exploram visualmente os in\u00fameros reflexos da arquitetura cotidiana e, assim, tra\u00e7am um paralelo com a multifacetada identidade do povo brasileiro, cuja pluralidade se expressa nas janelas, fragmentos de espelhos e reflexos que circundam as imagens. Permitem ao leitor e \u00e0 leitora um mergulho nas particularidades existenciais do cidad\u00e3o comum. As fotografias v\u00e3o muito al\u00e9m do padr\u00e3o est\u00e9tico que estamos acostumados a absorver no bombardeio imag\u00e9tico lan\u00e7ado pela <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/industria_cultural\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ind\u00fastria cultural<\/a> de massa e rompem com a trivialidade da composi\u00e7\u00e3o. \u201cUso muito os reflexos para mostrar algo que est\u00e1 al\u00e9m do ponto de vista da c\u00e2mera: o que est\u00e1 atr\u00e1s, ao lado, na diagonal para criar essa confus\u00e3o visual. Eles d\u00e3o conta de descrever as v\u00e1rias camadas e complexidades que acontecem numa cidade grande para al\u00e9m de uma foto chapada. Al\u00e9m de me agradar esteticamente tamb\u00e9m tem este prop\u00f3sito da c\u00e2mera captar quase 360 graus da realidade\u201d, explica Minas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<section class=\"sumario_html izquierda\" id=\"sumario_1|html\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Minas \u00e9 um oper\u00e1rio incans\u00e1vel da imagem, aproveita cada entardecer como uma oportunidade \u00fanica para explorar novos lugares e cantos escondidos da cidade banhados pelo amarelo solar<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p class=\"m_5545526164704259905m_3017847574964508734gmail-p3\">A rua \u00e9 um chamado fotogr\u00e1fico, um convite a transitar pela realidade para documentar as transforma\u00e7\u00f5es do nosso tempo. \u201cN\u00e3o consigo ficar muito tempo dentro de casa, sempre sinto uma necessidade de sair, especialmente naquela luz dourada do come\u00e7o e do final do dia\u201d. Uma boa fotografia, como a produzida por Gustavo, \u00e9 consequ\u00eancia de um trabalho \u00e1rduo e dedicado e, neste momento, \u00e9 coroado com uma publica\u00e7\u00e3o dourada como a luz da manh\u00e3 exploradas em sua obra. Minas \u00e9 um oper\u00e1rio incans\u00e1vel da imagem, aproveita cada entardecer como uma oportunidade \u00fanica para explorar novos lugares e cantos escondidos da cidade banhados pelo amarelo solar. Para ele: \u201cAs coisas simplesmente brilham de uma maneira diferente de acordo com a luz, as cores mudam e at\u00e9 objetos banais do dia a dia se tornam interessantes para mim. E, principalmente, quando ela ilumina as pessoas, a luz tem a capacidade de elevar cenas cotidianas a um outro n\u00edvel, como se os personagens nas fotos adquirissem uma certa &#8220;aura&#8221; cinematogr\u00e1fica, dif\u00edcil de descrever em palavras. Al\u00e9m disso, ela me ajuda a organizar o quadro ao ter somente certas partes da imagem iluminadas, elimino o que \u00e9 ru\u00eddo desnecess\u00e1rio na imagem, deixando-o na sombra e dessa maneira hierarquizo o quadro: o que \u00e9 mais importante no enredo est\u00e1 mais iluminado, e \u00e0s vezes h\u00e1 cenas paralelas secund\u00e1rias numa meia-sombra, e o que n\u00e3o me interessa fica na penumbra\u201d. A entrevista revela o trabalho artesanal do fot\u00f3grafo, que acessa um racioc\u00ednio preciso no momento de edi\u00e7\u00e3o das fotos, j\u00e1 que as decis\u00f5es durante o ato fotogr\u00e1fico s\u00e3o intuitivas. \u201cSe pararmos para pensar perdemos o instante decisivo daquela foto\u201d, sintetiza o fot\u00f3grafo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<section class=\"sumario_html derecha\" id=\"sumario_2|html\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Se os absurdos que cercam a realidade brasileira parecem torn\u00e1-la um filme de fic\u00e7\u00e3o, as imagens de Gustavo nos aterram neste processo exaustivo de compreens\u00e3o do pa\u00eds e nos oferecem um novo olhar para o cidad\u00e3o comum<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p class=\"m_5545526164704259905m_3017847574964508734gmail-p3\">\u201cEstar na rua \u00e9 se relacionar, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da conversa, e para mim menos porque sou t\u00edmido, mas sim de nos vermos nas outras pessoas e estabelecermos uma empatia. Funciona para mim como uma terapia, uma cura, uma limpeza da mente na qual avan\u00e7amos pela empatia\u201d, reflete o fot\u00f3grafo. Podemos compreender a vida nas grandes metr\u00f3poles a partir do olhar dos movimentos culturais c\u00edclicos de costumes e h\u00e1bitos sociais, que ficam datados em um determinado per\u00edodo hist\u00f3rico. Sendo assim, a fotografia, enquanto documenta\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica da vida cotidiana, captura e revela certas caracter\u00edsticas comuns, um recorte de tempo que nos fornece ricos elementos de compreens\u00e3o da sociedade. \u201cBoa parte do meu trabalho fala de uma vida entediante do cidad\u00e3o comum da cidade grande. Tento n\u00e3o me limitar a isso, mas sim, a maior parte da fotografia documental brasileira se concentra nas quest\u00f5es sociais e na est\u00e9tica da pobreza. Foco nas pessoas que est\u00e3o logo acima dessa camada social: pessoas que trabalham muito, que ralam, pegam \u00f4nibus, se lascam para chegar no trabalho e voltam cansadas na rotina das cidades\u201d, resume Minas, que em 2017 ganhou o pr\u00eamio <a href=\"https:\/\/fotos.poylatam.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">POY LATAM<\/a> na categoria <em>O Futuro das Cidades<\/em>, com seu trabalho extenso na rodovi\u00e1ria de Bras\u00edlia. \u201cQuando me mudei para <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/brasilia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bras\u00edlia<\/a> logo descobri que ali era uma mina de ouro no caos: vendedores ambulantes, gente fumando em baixo das marquises, vendendo bebida ilegalmente e outras a\u00e7\u00f5es que quebravam aquela ordem chata da Esplanada\u201d, diz Gustavo, que cr\u00ea na valoriza\u00e7\u00e3o da fotografia de rua enquanto documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p class=\"m_5545526164704259905m_3017847574964508734gmail-p1\">Se os absurdos que cercam a realidade brasileira parecem torn\u00e1-la um filme de fic\u00e7\u00e3o, as imagens de Gustavo nos aterram neste processo exaustivo de compreens\u00e3o do pa\u00eds e nos oferecem um novo olhar para o cidad\u00e3o comum, que, assim como Gustavo, trabalham bravamente todos os dias. \u201cConsigo fazer algo que me interessa muito na fotografia de rua que \u00e9 sugerir algumas fic\u00e7\u00f5es e provocar questionamentos como: o que \u00e9 a realidade?\u201d, provoca o fot\u00f3grafo. Como diz o mestre Carlos Moreira: \u201cFotografia \u00e9 fic\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o na fotografia \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do real, do dia a dia concreto, em algo que diz respeito ao interior do fot\u00f3grafo(a) e sua intimidade\u201d. Que a dedica\u00e7\u00e3o valente de Gustavo Minas possa inspirar novos trabalhos autorais dotados de intimidade e familiaridade com os temas abordados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para saber mais sobre Gustavo Minas: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gustavominas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.instagram.com\/gustavominas\/<\/a><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/25\/opinion\/1561481927_145033.html#?ref=rss&#038;format=simple&#038;link=link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mais em https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/25\/opinion\/1561481927_145033.html#?ref=rss&#038;format=simple&#038;link=link<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que legado deixamos para a posteridade no decorrer de nossas vidas? 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