Educação financeira prepara alunos para lidar com o dinheiro e tomar decisões conscientes desde cedo

 

Feira escolar simula situações reais de compra, venda e negociação entre os estudantes, além de estimular o uso do inglês nas interações

Legenda: Moeda simbólica, chamada “Fullbucks”, é distribuída conforme o desempenho em atividades escolares ao longo do ano (Crédito: Divulgação)

Atualmente, cerca de 50% da população adulta está endividada, o que representa aproximadamente 81,7 milhões de brasileiros. Esse dado alarmante poderia ser evitado se houvesse educação financeira desde cedo. Esse é o objetivo de um projeto de educação financeira realizado pelo Colégio Santo Anjo, um dos maiores de Curitiba, com cerca de três mil alunos, que vai além da teoria e se torna uma experiência concreta dentro da sala de aula, envolvendo desde organização pessoal até práticas de consumo e empreendedorismo.

  

Segundo a professora Cassiana Siqueira, coordenadora do Centro de Internacionalização do Colégio Santo Anjo, o ensino financeiro está diretamente ligado à formação integral dos alunos. “Hoje, nossos alunos do período integral aprendem português, história, geografia, inglês, artes. Refletimos sobre a importância de introduzir a educação financeira e, ao atrelar ao ensino do idioma inglês, surgiu o projeto Financial Education”, afirma.

  

Abordagem prática 

O diferencial do projeto está na abordagem prática. Os estudantes participam de atividades que simulam situações reais, como ganhar, economizar, investir e gastar dinheiro.

  

Dentro do programa, os alunos recebem uma moeda simbólica, chamada “Fullbucks”, que é distribuída conforme o desempenho em atividades escolares ao longo do ano. Participação em aula, leitura de livros, organização e uso do inglês são alguns dos critérios avaliados. “A gente paga quando eles terminam a leitura de um livro, por exemplo. E, se o livro foi em português, é uma quantia, se é em inglês é outra, justamente para incentivar o hábito da leitura e o aprendizado de outra língua”, explica Cassiana.

  

Feiras e empreendedorismo

Um dos momentos mais aguardados pelos alunos são as feiras de empreendedorismo, realizadas a cada três meses. A próxima acontece no dia 7 de maio, ocasião para que os estudantes vivenciem todas as etapas de um negócio: compra de insumos, produção, definição de preços e venda. “Eles compram material, produzem seus artesanatos e vendem. Tudo isso faz parte de uma cadeia que, muitas vezes, a gente não aprende na escola, só na prática, e aí demora mais”, afirma a coordenadora.

  

 

Os produtos vão desde itens artesanais, como pulseiras e origamis, até peças feitas com argila. Além disso, os alunos precisam lidar com conceitos como oferta e demanda. “Quando tem muito de um produto, ele fica mais barato. Quando é algo único, ele é mais caro. Eles percebem isso na prática”, detalha.

  

Inglês como ferramenta de negociação

Outro diferencial do projeto é a integração com o ensino bilíngue. Todas as interações durante as feiras e na chamada “lojinha” são feitas em inglês, estimulando o uso do idioma em situações reais.

  

“Para eles poderem comprar, é preciso falar inglês. Perguntas como ‘How much is it?’ ou ‘Can I have my change, please?’ fazem parte do dia a dia”, explica Cassiana. A negociação também é incentivada: “Se um anel custa R$ 1, eles perguntam se conseguem dois por R$ 1,50. Isso tudo é trabalhado em inglês”.

  

Consciência financeira desde cedo

Os resultados aparecem rapidamente no comportamento dos alunos. No início, é comum que gastem todo o dinheiro na primeira oportunidade. Com o tempo, passam a desenvolver estratégias de economia. “Na primeira feirinha, geralmente os alunos gastam muito. Na segunda, já ficam mais controlados. E na terceira, mais econômicos ainda”, observa.

  

 

Essa mudança também é percebida fora da escola. Cassiana relata a experiência com a própria filha, que participa do projeto. “Percebo que ela está muito mais controlada nas despesas. Antes, ela gastava tudo que ganhava. Agora ela guarda, junta para comprar algo que realmente quer”, conta.

  

 

Além disso, o aprendizado se reflete em atitudes do cotidiano. “Quando a gente vai ao mercado, ela compara preços, observa valores. São práticas que ela adquiriu nas feirinhas”, completa.

  

 

Ao integrar educação financeira, língua inglesa e empreendedorismo, o Colégio Santo Anjo propõe uma formação que ultrapassa o conteúdo tradicional e prepara os alunos para desafios reais. “É uma prática que mescla o aprendizado do inglês, o consumo consciente e escolhas financeiras. A gente traz o mundo para dentro da sala de aula”, conclui.