VMs, containers e IA: as faces da virtualização moderna

  • Por Andrea Cavallari, Field CTO para a América Latina na Red Hat –

 

Há décadas, a virtualização é uma das principais bases da TI empresarial. Enquanto as organizações buscavam consolidar servidores, otimizar recursos e criar ambientes mais flexíveis, as máquinas virtuais (VMs) se tornaram uma forma eficaz de executar diferentes sistemas e aplicações sobre o mesmo hardware.

  

 

 

Essa realidade, no entanto, está mudando. Ao mesmo tempo em que muitas aplicações críticas continuam dependendo de VMs, novos projetos de tecnologia são construídos sobre containers, Kubernetes e inteligência artificial. Uma combinação que coloca as equipes de TI frente a uma questão recorrente: como administrar diferentes tipos de cargas de trabalho sem ampliar a complexidade da infraestrutura?

 

 

A discussão ganha uma nova camada diante das transformações no mercado de virtualização, que incluem mudanças nos modelos de licenciamento e um acelerado aumento de custos. Vivemos um ponto de inflexão no qual as empresas precisam decidir se continuam pagando valores elevados por hipervisores legados ou se fragmentam suas operações em diferentes plataformas.

  

 

 

Entre o passado e o futuro

 

Relatório recente da Red Hat sobre o Estado da Virtualização mostra que cerca de 71% das organizações têm mais da metade da infraestrutura de TI virtualizada. E para acompanhar as novas demandas de tecnologia, essas empresas estão distribuindo suas cargas de trabalho entre uma combinação de VMs tradicionais (61%) e containers (38%).

  

 

 

Nesse cenário, plataformas abertas baseadas em nuvem híbrida podem ajudar a aproximar diferentes modelos de infraestrutura. A abordagem integrada é fundamental porque as migrações raramente acontecem de uma única vez. Nesse necessário, organizações tendem a trabalhar por ondas, priorizando determinadas aplicações, e sempre mantendo parte do ambiente original durante o período de transição.

  

 

 

Infraestrutura em prática

 

Isso acontece porque mover centenas ou milhares de máquinas virtuais é um projeto complexo. O risco de interrupção operacional é uma das principais preocupações, citadas por 53% das empresas, de acordo com estudo realizado pela Portworx. Segundo o relatório, apenas 8% das organizações concluíram a migração de VMs até o momento.

  

 

 

Mas as companhias que conseguem ultrapassar essa barreira com o auxílio de plataformas integradas observam resultados relevantes em suas operações. Uma das líderes do setor automotivo, a Ford operava milhares de VMs de aplicações legadas em fábricas de manufatura. Qualquer interrupção nesses sistemas poderia paralisar a produção de veículos.

  

 

 

Ao padronizar a infraestrutura, é possível executar máquinas virtuais e containers lado a lado em uma única plataforma. O resultado é a migração de cerca de 10 fábricas de manufatura críticas, com zero tempo de inatividade ou impacto para os usuários finais, além do estabelecimento da base para operações de TI auto-recuperáveis e auxiliadas por IA.

  

 

 

Já o Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, precisava de uma base de computação de alto desempenho e segura para cargas de trabalho de exploração espacial, preservando os investimentos em aplicações legadas. A instituição adotou a plataforma para consolidar cargas de trabalho virtualizadas e aplicações modernas em uma infraestrutura de nuvem híbrida. Com isso, otimizou as operações diárias usando pipelines CI/CD nativos de nuvem para gerenciar máquinas virtuais e fortaleceu a postura de segurança da infraestrutura.

  

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Os exemplos reforçam que modernizar a infraestrutura não significa necessariamente substituir aplicações existentes. Na maioria dos casos, significa criar condições para que diferentes gerações de tecnologia possam coexistir.

  

 

 

Uma transição, não uma ruptura

 

O futuro da virtualização costuma ser apresentado como uma escolha entre manter o modelo atual ou migrar completamente para arquiteturas na nuvem. A realidade, porém, é menos binária: máquinas virtuais vão continuar fazendo parte da TI empresarial, ao mesmo tempo em que containers, Kubernetes e IA devem ocupar uma parcela crescente das novas cargas de trabalho.

  

 

 

Nesse contexto, a discussão passa a ser sobre como construir uma infraestrutura capaz de acomodar diferentes gerações de aplicações, preservar investimentos existentes e, ao mesmo tempo, criar espaço para novas arquiteturas. Ao unir máquinas virtuais, containers e cargas de trabalho de IA em uma mesma estratégia de infraestrutura, as organizações podem avançar gradualmente, escolhendo o ritmo e o caminho mais adequado para cada aplicação.